Escolhendo os passos certos, é possível fazer mudanças em menor escala que redirecionem a cidade para pedestres. Não é preciso exatamente “reprogramar cidades”, mas aplicar ações que aliviem um pouco o trânsito de automóveis e tragam benefícios.

Dentre as qualidades de uma cidade mais aberta às pessoas, estão a segurança, a iluminação, o conforto para caminhar e a facilidade de localização. Muitas cidades falham em oferecer isso aos seus moradores.

E não é um problema específico de determinados países. No mundo todo, vemos municípios criados para fortalecer a economia primeiro e pensar nas pessoas depois. Isso resultou em cidades voltadas para os automóveis.

Hoje, vemos que aumentar a qualidade de vida atrai residentes que contribuem para a movimentação da economia. Especialmente no caso dos millennials. À medida que os baby boomers vão envelhecendo, a nova geração entra para o mercado e muda dramaticamente o foco das cidades.

Esse é o caso de Portland (Oregon, nos EUA), que passou a atrair talentos mais jovens depois de repensar sua estrutura, antes focada em carros. Baseamos parte deste artigo nos trabalhos do urbanista Jeff Speck. No vídeo abaixo (com legendas em português), ele explica mais sobre como é uma cidade que respeita os pedestres:

Confira abaixo quais indicadores podem ser considerados ao decidir se a cidade é direcionada aos pedestres e dicas sobre como podem se tornar melhores para as pessoas.

 

Indicadores da cidade para pedestres

Um site chamado Walk Score oferece aluguel e venda de casas com foco nos pedestres. Para isso, define uma pontuação das cidades onde ficam os imóveis. Ainda é disponível apenas para os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália, mas, com base nos indicadores utilizados, podemos ter uma ideia do que faz uma cidade ser voltada às pessoas.

A pontuação vai de 0 a 100 – a cidade no topo do ranking é Nova Iorque, com 84 pontos. Por meio de um sistema patenteado e baseado em pesquisas acadêmicas, a empresa analisa centenas de rotas a pé e pontos comerciais. Quanto mais fácil o acesso a padarias, supermercados, farmácias, etc, maior a pontuação.

Além disso, o Walk Score mede a acessibilidade para pedestres analisando a densidade da população e métricas de distância, como a largura dos quarteirões. Por fim, outras duas categorias são aferidas pelo site: o Transit Score calcula a qualidade do transporte público, bem como o Bike Score, isto é, o acesso a bicicletas.

A seguir, vamos listar algumas características que podem transformar uma cidade em um lugar mais amigável para pedestres.

 

Diminua os carros diminuindo as vias

A abordagem focada em carros não teve sucesso na maioria das cidades e não tem sido positiva para a economia e a saúde das pessoas. Isso acontece porque, conforme o congestionamento cresce, tendemos a criar avenidas mais largas, mais ruas, etc.

Ao invés de aliviar o problema, abrir mais espaços para carros traz ainda mais automóveis para as vias. Jeff Speck defende que as ruas devam ser tratadas como ambientes amigáveis, onde as pessoas convivam entre si e não precisem ter medo de carros.

Além disso, vias mais largas encorajam velocidades maiores. Para o efeito contrário, devemos incentivar ruas mais estreitas, de duas mãos.

 

 

Crie oportunidades para caminhar

Seres humanos costumam se sentir mais vulneráveis quando caminham em locais totalmente abertos. Por isso, estacionamentos na beira da calçada devem ser desencorajados. O ideal é que a entrada das construções esteja sempre acessível.

Colocar casas, prédios e comércios na calçada cria uma sensação de conforto e acolhimento, o que aumenta as possibilidades de caminhada.

O ideal é que estacionamentos fiquem nos andares superiores ou subterrâneos das construções, sempre acolhendo primeiro o pedestre.

 

Organize usos públicos do espaço

As cidades mais abertas a pedestres têm atividades nas ruas, onde as pessoas podem passar o tempo e se encontrar. É importante promover eventos e permitir o uso do espaço, além de estimular comércios que tenham espaço de convivência na rua, como cafés e bares.

Já falamos por aqui sobre os parques públicos e como pesquisadores concluíram que espaços abertos, confortáveis para as pessoas, podem transformar a economia da cidade. Confira mais sobre esse assunto aqui.

 

Ofereça ferramentas de localização

Os prédios costumam ficar “em cima” das pessoas, escondendo boa parte da visão da cidade. É possível trazer o senso de localização de volta para a nossa escala ao adicionar sinalização e mapas que permitam melhor navegação a pé.

Isso também se aplica aos caminhos entre praças, parques e ruas de acesso restrito a carros. Ter a navegação bem explicada estimula a presença de pedestres.

 

Construa ruas “completas”

Uma cidade para pedestres deve fazer uso do conceito de ruas completas. Esse tipo de via tira o foco dos carros e passa a servir às pessoas social e comercialmente. São ruas frequentemente fechadas para os automóveis, ou seja, lugares perfeitos para tomar um café, ler e conversar.

 

Dê acesso a bicicletas

Um dos principais meios de transporte de uma cidade para pedestres é a bicicleta. Por isso, municípios que desejam fortalecer a economia e atrair as pessoas devem criar estrutura para esse tipo de transporte.

Faça da cidade um local hospitaleiro para as bikes, com ciclovias, estacionamentos e até mesmo bicicletas públicas.

 

Plante árvores

Muitas pessoas defendem que as árvores dificultam a visibilidade nas ruas. Por mais que  esteja ligada a alguns acidentes, a vegetação traz muito mais benefícios do que problemas.  Vejamos: resfriamento do clima, redução das emissões e energia necessária para resfriar o ambiente, dentre outros.

Além disso, pedestres caminham melhor quando há a sombra das árvores.

 

Uma cidade para pedestres com poucas ações

Essas são apenas algumas das ideias que teóricos listam para facilitar o acesso dos pedestres aos municípios. Cada cidade pode definir outras ações que combinem com seu estilo e atraiam mais pessoas.

O importante é cobrar planejamento de governantes e líderes. Ademais, você pode contribuir ao tomar a atitude de deixar o carro em casa de vez em quando.

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