NPV+ é um método de contabilidade que permite que governos saibam o custo e o retorno de projetos ambientais e sociais. O que esse índice pode trazer de novo para as contas públicas? O NPV+ leva em consideração as variações de preço e outros fatores que não são financeiros, mas influenciam o valor e o custo.

Por exemplo: se você comprar uma casa hoje, vai pensar na valorização do imóvel daqui a um mês, um ano, 10 anos. Isso sem contar outros elementos como segurança da área, distância do trabalho, disponibilidade de escolas ao redor. Tudo isso influencia o processo de decisão.

Já as decisões governamentais priorizam apenas o aspecto financeiro imediato. Ou seja, o que for mais barato e com chances de retorno tem prioridade. Assim, as questões sustentáveis acabam ficando por último, uma vez que o investimento pode ser alto.

O NPV+ é importante exatamente para colocar as questões ambientais no mapa dos orçamentos públicos. Entenda melhor, a seguir, de que se trata e a importância que pode ter.

 

 

O que é NPV+

A sigla NPV vem de Net Present Value Plus (Valor Presente Líquido Extra). Ele é calculado com base em uma série de cenários para determinar o contexto real. Isso contribui para a tomada de decisões assertivas.

O índice tradicional, NPV, não calcula fatores que não dizem respeito ao dinheiro. Apenas o valor do que entra e do que sai do “caixa”. Em projetos de investimento privados, pode determinar decisões com precisão. Mas não abraça tudo que é necessário em uma administração pública.

A diferença do NPV+ é fazer uso de canais e taxas disponíveis para complementar custos e retornos. Isso inclui itens que não tenham um valor necessariamente financeiro, como o custo da degradação ambiental, o aumento da resiliência ecológica, a qualidade de vida, as condições do trânsito, etc.

Ou seja, na fórmula do NPV+, tanto custos quanto benefícios entram na categoria “fluxo de caixa”. Isso mesmo quando não há troca financeira. Depois de prever esses valores, é possível utilizar a fórmula tradicional (NPV):

Onde:

Ct = entrada líquida de dinheiro durante o período t (incluindo fatores extra)

Co = total de investimento inicial

r = juros

t = período de tempo

O NPV+ pode ajudar os grandes decisores das administrações públicas a trabalhar com cenários mais realistas e que levem em conta fatores de longo prazo como crescimento no custo de recursos, mudança climática, performance econômica, etc.

Para você entender um pouco melhor, acompanhe abaixo alguns exemplos de uso do NPV+.

 

Exemplo de uso do NPV+

O primeiro caso de utilização no NPV+ é de Maryland, nos Estados Unidos. O índice foi utilizado para analisar quatro tipos de decisão de rotina da administração: veículos, climatização de construções, conservação de terras e instalações.

 

  • Veículos: a intenção era substituir os veículos administrativos e as viaturas policiais a gasolina por elétricos. Mas essa troca faria sentido no longo prazo, considerando a economia em combustível?
  • Conservação das terras: em relação à Prefeitura, vale a pena adquirir terrenos para transformá-los em reservas naturais, considerando os benefícios para o ecossistema da cidade?
  • Climatização de construções: por meio de um programa, a Prefeitura de Maryland promoveu a climatização de construções em bairros de baixa renda da cidade. O NPV+ seria, então, utilizado para calcular o quanto esse investimento traria de retorno para as contas públicas.
  • Instalações: comprar outro sistema de HVAC para o centro de detenção. Isso economizaria em gás natural e eletricidade durante a sua vida útil?

 

Como é possível perceber, todos os projetos propostos focam na melhoria da qualidade de vida e da eficiência sustentável de Maryland. Depois de calcular o NPV+, os resultados foram os seguintes:

 

  • Veículos: a escolha final foi o carro elétrico, que, apesar de custar o dobro de um convencional, contribuiria para uma economia maior em seus 10 anos de uso. Na verdade, concluiu-se que a compra vale a pena dentro de três anos.
  • Conservação das terras: um terreno adquirido por 1 milhão de dólares, com várias espécies de fauna e flora, retornou para a cidade entre 6 e 16 dólares a cada 1 dólar gasto.
  • Climatização de construções: em 20 anos, os 18 milhões de dólares investidos no programa de climatização resultaram em economia líquida de 28 milhões. A necessidade de geração de energia que a cidade precisa prover cai proporcionalmente.
  • Instalações: nesse caso, os valores são calculados com base em sistemas previamente instalados. Assim, não é possível estimar o retorno financeiro de um novo sistema significativamente mais caro.

 

Se quiser saber mais sobre o plano de Maryland e o que foi feito por lá utilizando o NPV+, confira neste material (em inglês).

 

NPV+: orçamento inteligente

O índice é um exemplo de como é viável realizar orçamentos mais inteligentes, que ofereçam benefícios reais para as cidades.

Pensando no retorno em longo prazo e nas variações de preço, contexto e outros fatores, podemos contar com mudanças muito mais significativas na gestão pública. Se quiser saber mais sobre inovação nessa área, não deixe de ler outro de nossos conteúdos:

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