Nem todo empreendedorismo acontece no Vale do Silício. Apesar de a região se destacar como pioneira em inovação, várias outras cidades pelo mundo se firmam cada vez mais como “hub de empreendedorismo”.

Por aqui, já falamos do polo tecnológico de SC e de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais. Em ambos os casos, o incentivo ao empreendedorismo e à inovação trouxe mais empregos e soluções para os serviços públicos.

Apesar de governos e agentes enfrentarem desafios, os benefícios de criar um hub de empreendedorismo são muito grandes.

A seguir, vamos saber mais sobre o conceito e como cidades podem se tornar mais inovadoras e empreendedoras.

 

O que têm as cidades que são hubs de empreendedorismo

Hubs de empreendedorismo normalmente têm tudo que um empreendedor precisa para executar suas apostas no mercado. Isso inclui:

➔ Incentivos financeiros governamentais.

➔ Boas condições financeiras para a vida (aluguéis e transportes baratos, por exemplo).

➔ Qualidade e possibilidades de estilo de vida.

➔ Acesso a serviços públicos, como saúde e educação.

➔ Presença de outras empresas inovadoras (ecossistema empreendedor).

➔ Presença de entidades apoiadoras (universidades, incubadoras, aceleradoras).

➔ Mão de obra talentosa.

Acesso fácil a cidades polo do país (aeroportos bem equipados).

A busca de talentos é um dos quesitos mais importantes. A cidade precisa ser atrativa a esses talentos, uma vez que essa é a principal queixa dos empreendedores. Em uma pesquisa do Startup Genome, quase um terço deles disseram que esse é um fator-chave para a decisão de mudar.

As cidades precisam ter estrutura para receber as pessoas que serão empregadas na empresa. Só assim o hub de empreendedorismo pode prosperar.

Cidades com potencial de se tornarem um hub de empreendedorismo conquistam esse título por meio da atuação conjunta de governos e cidadãos. Elas conseguem fazer isso juntando potenciais existentes de mercado e inovação.

O sucesso na empreitada não é sempre certeiro, mas, sem incentivar o empreendedorismo, fica difícil chegar a algum lugar.

 

Como criar um hub de empreendedorismo

Atuação de instituições educacionais

Kansas City, no Missouri, tornou-se líder em empreendedorismo social no país, graças à atuação da universidade local.

Além de promover eventos, a instituição oferece oportunidades para formandos que querem empreender e têm conexão com negócios existentes. Isso mostra como a atuação de instituições educacionais é essencial para a criação de um hub de empreendedorismo.

Ecossistemas empreendedores

Startups movem a inovação em todo o mundo, mas, para isso, precisam testar suas ideias, experimentar, falhar e conquistar sucesso com base no aprendizado. Essas são atitudes que precisam estar presentes na criação do hub.

Em Belo Horizonte, temos o San Pedro Valley, iniciativa que veio dos próprios empreendedores. Em Kansas City, existe o Kansas City Startup Village (algo como Vila de Startups de Kansas City), que também é uma comunidade formada organicamente.

Por isso, para que o hub se forme, é preciso incentivar a criação dessas conexões – que não são suficientes por si sós, mas movimentam a cultura empreendedora.

Potencialidades naturais

Outro ponto importante na criação de um hub de empreendedorismo é a exploração de potencialidades existentes nas cidades. O polo tecnológico de Santa Catarina, por exemplo, investe na área de TI em razão do sucesso das indústrias locais.

É interessante incentivar e explorar o que a cidade tem de melhor, unindo expertises de empresas consolidadas e de novos negócios para desenvolver ainda mais a cultura empreendedora.

 

Obstáculos para a criação de hubs de empreendedorismo

Antes do segundo turno das eleições municipais do Rio de Janeiro (2016), os autores Guilherme de Oliveira Santos, doutorando do PPED-UFRJ, e Antonio Pedro Lima, economista e analista de projetos do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, desenvolveram um estudo que apresenta formas de a cidade se tornar mais inovadora e empreendedora – uma espécie de manual de orientação para o futuro prefeito.

Como obstáculos para a criação dessa cultura, eles apontaram:

Burocracia

Logo de início, a burocracia presente no Rio de Janeiro (e por extensão em outras cidades do país) seria um grande obstáculo. Isso porque nem sempre há regulamentação para as atividades de inovação.

Pequenos empreendedores, segundo os autores, seriam os mais prejudicados, já que não teriam recursos para arcar com consultorias que acelerariam processos burocráticos. Assim, o tempo necessário para resolver essas questões acaba sendo um entrave.

Falta de aproximação entre gestores municipais e empreendedores

Os autores também acreditam que há pouca aproximação dos empreendedores às instituições de fomento. Para eles, é necessário que os governos ajudem a promover tal conexão.

Obstáculos na relação universidade-empresa

Como vimos acima, as universidades são agentes importantes na formação de um hub de empreendedorismo. No caso do Rio de Janeiro, os autores apontam a falta de aproximação dessas instituições, o que dificulta a transmissão de conhecimento.

 

A formação de um hub de empreendedorismo leva tempo

Vimos neste post o que cidades “hub de empreendedorismo” têm. Além disso, destacamos as ferramentas necessárias para a sua formação e falamos sobre como aproveitar a potencialidade de cada região. Por fim, discutimos os obstáculos que precisam ser vencidos.

Lembre-se de que a formação de um hub demanda tempo. Na verdade, a criação e a prosperidade de qualquer tipo de cultura têm essa premissa. Portanto, é preciso incentivar sem esperar resultados imediatos.

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O PAPEL DAS UNIVERSIDADES NA CULTURA EMPREENDEDORA

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