O Brasil teve um saldo positivo de criação de empregos em 2016 e devemos muito às micros e pequenas empresas, que contrataram 54 mil pessoas. Esse resultado é fruto do crescimento das startups, que, por sua vez, se apoiaram nos ecossistemas empreendedores fortalecidos pelo país.

Um deles é o San Pedro Valley, em Belo Horizonte. A comunidade foi criada em 2009 e conta agora com 300 startups participantes. Promotora de vários eventos na cidade, seu modelo de sucesso serve de inspiração para outros ecossistemas e, segundo os fundadores, pode ser facilmente replicado.

Neste post, vamos falar sobre o conceito de ecossistema empreendedor, o que é preciso fazer para começar e alguns aprendizados que podemos retirar da trajetória do San Pedro Valley.

 

Entenda como funciona um ecossistema empreendedor

A primeira coisa que você precisa saber é que construir um ecossistema empreendedor não é uma tarefa simples. Os resultados podem ser incríveis, não só para os fundadores, como para toda a região. Mas o processo dá trabalho.

As comunidades podem ter várias formas. Estar em um lugar físico ou não, funcionar com um modelo de sociedade ou não, por exemplo. Muitas, assim como o San Pedro Valley, nasceram inspiradas no Vale do Silício, mas levam em conta as características de onde estão inseridas.

Se você quer ajudar a criar um ecossistema empreendedor na sua cidade, comece se preparando. Estude bastante, pegue exemplos de fora, converse com as pessoas, leia muito – mas mantenha a cabeça na sua realidade.

No livro Startup Communities: Building an Entrepreneurial Ecosystem in Your City (em português, Comunidades de Startups: Construindo um Ecossistema Empreendedor na sua Cidade), Brad Feld criou algumas regras para as comunidades darem certo.

O autor escrever o livro baseado em sua experiência de mais de 20 anos como empreendedor e contribuindo com startups. Ele observou as estratégias das comunidades que mais prosperaram e criou a Teoria Boulder.

São quatro princípios fundamentais:

 

  • Ecossistemas empreendedores são formados por leaders (ou líderes: os empreendedores) e feeders (ou fomentadores: todos os outros agentes, como governo). Mas os empreendedores precisam ser o centro.
  • Como os líderes são objetos centrais, é necessário que se comprometam. Muitas vezes, durante um longo período de tempo.
  • Os ecossistemas que dão certo têm uma filosofia de inclusão. É preciso que todos que quiserem possam participar e dividir suas ideias e experiências.
  • Para que a comunidade de startups seja duradoura, é importante promover eventos que engajem. Não valem só festas!

 

Brad acredita que a comunidade se forma quando empreendedores fazem o que sabem de melhor: criar coisas.

Vamos aprofundar um pouco mais nesses conceitos e como você pode colocá-los em prática na sua cidade.

 

Não tente fazer tudo sozinho

Por mais que os empreendedores sejam o centro e movimentem a criação do ecossistema, ninguém faz grandes coisas sozinho. É preciso equilíbrio e a troca entre os agentes. Comece listando quem pode fazer parte desse projeto. Pense em quem pode trazer benefícios para novos empreendedores, tanto com recursos quanto com experiência.

São governos, investidores, aceleradoras e incubadoras, universidades – sem eles, sua tentativa de criar um ecossistema pode ser furada. O Founder Institute tem um Canvas para ajudar a organizar esses pontos (em inglês).

Se você quer criar um ecossistema empreendedor, provavelmente já tem uma rede de outros empreendedores com quem pode contar. Entre em contato e peça que eles motivem as próprias redes de contatos. Organizar um meetup é uma boa forma de fazer isso.

O San Pedro Valley (SPV) foi criado por amigos. Tudo começou quando Matt Montenegro (Beved) conheceu Diego Gomes (Rock Content) na Via6. Eles se juntaram a Yuri Gitahy (Aceleradora), a Edmar Pereira (Rock Content), a Bernardo Porto (Hotmart) e a Vítor Peçanha (Rock Content) e deram os primeiros passos do que viria a ser um dos ecossistemas de referência no país.

Os benefícios são o apoio maior a novos empreendedores na região, o que resulta na troca de experiências e uma economia mais próspera. Nada disso seria possível se eles não juntassem suas forças.

 

Esteja preparado para se dedicar

Até que o ecossistema de startups esteja implantado na sua cidade, demora um tempo (e demanda muito de sua disponibilidade também).

Assim que você começa a se dedicar à criação da comunidade, outros empreendedores vão enxergá-lo como referência na área. Por isso, é preciso que você ofereça seu tempo e esforço para fazer acontecer.

Como Matt conta neste post, O SPV não tinha um líder específico, mas todos se dedicavam a responder a e-mails e a direcionar entrevistas, reportagens e tirar dúvidas.

Na verdade, uma das formas que mais dão resultado para começar um ecossistema é criando uma rede de mentorias. Inspirando novos empreendedores e aprendendo com eles, você e sua cidade só têm a ganhar.

Duas dicas essenciais para dar mentorias:

 

  • Foque em métricas. Se você não coloca fé em algum produto que um empreendedor novato lhe apresentou, isso não quer dizer que ele não dê certo. Só o mercado pode dizer.
  • Quando não há métricas suficientes, não “pise em ovos”. Dê seu feedback honesto e direto. Assim como qualquer comunidade, o ecossistema empreendedor é baseado em confiança.

 

Procure evitar que haja um clima de disputa entre os empreendedores participantes. Até mesmo empresas concorrentes, se trabalharem juntas, podem ganhar benefícios mútuos com a criação do ecossistema.

Uma boa forma de começar é colocar todos trabalhando para um objetivo em comum. Procure pensar quais são os problemas-chave da sua região ou até do país e como os empreendedores podem se beneficiar das soluções.

Onde existe oportunidade para empreender existem empreendedores entusiasmados. Crie eventos que unam as pessoas preocupadas com as mesmas “dores” para vocês pensarem nas soluções juntos.

 

Dê chance a todos e promova eventos

Por falar em eventos, saiba que não existe um ecossistema empreendedor sem eles. É durante os eventos que todos têm chance de se conhecerem e dividir suas ideias e atuações.

Um dos primeiros eventos do SPV foi um meetup em 2009, com as primeiras empresas participantes. Já em 2016, a comunidade promoveu o San Pedro Valley Summit, com mais de 1.200 pessoas.

Muitas startups surgem todos os anos, mas muitas também desaparecem. Por isso, os eventos precisam promover algo além de só networking.

Aí entra a função essencial dos eventos estilo Startup Weekend e Hackathon. Quem ainda não tirou uma ideia do papel participa desses eventos que podem resultar em companhias reais  a Easy Taxi surgiu assim.

Nem sempre será necessário que você promova esses encontros. Conte com outros stakeholders, como as instituições de ensino. Você pode também tentar trazer eventos conhecidos para a sua cidade, como o Hackathon da NASA. Com eles, a sua comunidade vai se manter viva e engajada.

Segundo Matt Montenegro, a informalidade é um dos pontos mais fortes do SPV, uma vez que se engaja quem estiver mais interessado. Os eventos são produzidos gratuitamente ou não, dependendo do objetivo e dos recursos disponíveis. Não existe uma associação, como se fosse um sindicato.

Para que você entenda melhor se a sua comunidade está preparada para os tipos de evento, acesse este estudo do Sebrae, que definiu as fases pelas quais uma startup passa. O ideal é que na região existam empresas em todas as fases.

E aí, gostou? Deixe um comentário contado sua experiência com ecossistemas empreendedores!

Leia mais sobre Para sua região Startup


Quer receber mais
conteúdos como esses?

cadastre-se para receber os nossos conteúdos por email:

Obrigado por cadastrar o seu e-mail. Seja bem-vindo à comunidade Inovação Sebrae Minas.