Sempre que adquirimos um produto, estamos de alguma forma resolvendo um problema. Um copo, por exemplo, resolve o problema de a gente não ter, em determinado momento, um recipiente para colocar líquidos. Com os serviços públicos, é a mesma coisa: se utilizamos o transporte público, resolvemos nosso problema de locomoção.

Mas, para que essas soluções fossem criadas, alguém precisou definir um problema para cada uma delas. O sucesso da aplicação prática depende de como foi traçado o problema; se ele não existisse, as soluções seriam um fracasso.

Por isso, há a necessidade de uma ferramenta que ajude a definir um problema para que você possa criar soluções mais efetivas. Para este texto, inspiramo-nos no artigo “The Social Design Methods Menu” (Guia de Métodos do Design Social), dos autores Lucy Kimbell e Joe Julier.

O trabalho é uma introdução de vários métodos baseados no design social. Essa área busca definir jornadas de aprendizado em conjunto que criam soluções criativas para problemas da sociedade e das cidades.

Vamos lá?

 

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Ferramenta para definir um problema

Definir um problema não é uma tarefa simples. Algumas vezes, o que percebemos à primeira vista é só a ponta do iceberg.

A ferramenta de definição de problemas funciona para analisar o problema de diversos ângulos, expandi-lo e detalhá-lo mais precisamente. Quando você aplicá-la, pode começar a enxergar outras dificuldades adicionais.

Assim, você e sua equipe fazem melhor uso do tempo e podem se articular com mais eficiência na hora de definir um problema. Por isso, reúna todos e preencham juntos o diagrama abaixo:

Evite que o time se apegue a ideias logo de início. A intenção é fazer tantas versões quanto forem necessárias e fazer comparação entre elas.

Procure sempre reconfigurar o problema. Por exemplo, o que pode acontecer se você enxergar a população idosa como pessoas com capacidades, e não com necessidades? Ou um encontro de jovens como expressão cultural, e não como problema de ordem pública?

No fundo, temos posições sobre assuntos que nem sempre são trazidas à tona. Quando exercitamos um grupo a fim de pensar diversos cenários, posturas podem ser manifestadas.

É por isso que, em grupo, o uso da ferramenta faz mais sentido. Muitos pontos de vista são trazidos para discussão. Se for o caso, procure incluir todas as partes envolvidas na conversa. Perspectivas diferentes podem oferecer uma clareza totalmente renovada.

Procure também reunir fatos para ajudar a pensar. Imagine quais dados influenciam diretamente no seu problema – eles podem ter alguma coisa a ver com isso.

 

Como o olhar viciado dificulta a definição de problemas e soluções

Já nos anos 1930, o psicólogo alemão Karl Duncker pensava em como definir um problema da melhor forma. Ele aplicou experimentos que mostraram como a maioria de nós tem um olhar viciado, e isso impede soluções criativas de virem à tona.

O desafio que o estudioso lançou a um determinado grupo de participantes era o seguinte: você tem uma vela, uma caixa de fósforos e uma caixa de tachinhas. Só com esses instrumentos, você deve prender a vela na parede sem que a cera caia no chão quando ela estiver acesa.

 

Pense um pouco. O que você faria?

A maioria não conseguiu encontrar uma solução porque acreditou que o problema só seria resolvido obrigatoriamente com a utilização dos três itens – tachinhas, fósforos e vela.

A solução era muito simples: bastava esvaziar a caixa de tachinhas, fixar a vela nela com cera derretida e prendê-la na parede. A caixa fazia parte do problema e, portanto, da solução. Nesse exemplo, não houve necessidade de usar as tachinhas, apenas a sua caixa.

O nome dado por ele a essa “visão limitada” foi “fixação funcional”. Temos tendência a “empacar” e acreditar que não há solução porque enxergamos apenas uma parte do problema.

Isso é culpa do nosso cérebro, que é programado para fixar a função principal de cada objeto, isto é, “a caixa serve apenas para guardar tachinhas”. Mas vai muito além disso. Até mesmo o pavio da vela pode ser pensado como um barbante. O barbante, por sua vez, tem vários fios de fibra.

Ao utilizar a ferramenta de definição de problemas, pergunte-se sempre se cada elemento do problema pode ser subdividido. Assim, você e sua equipe podem fazer novas relações e descobrir soluções totalmente novas.

Até mesmo um jogo de palavras pode facilitar tudo. Compare as duas situações:

➔ “Colar um papel em uma parede”

➔ “Prender um papel em uma parede”

Podem surgir soluções bem diferentes, certo? Lance mão de outros recursos, como dicionários e até calculadoras.

 

Como definir um problema

Portanto, vimos que definir um problema é tão importante quanto definir uma solução. Na verdade, você deve ter problemas bem traçados antes de imaginar soluções.

Não se esqueça:

➔ Olhe o problema de diversos ângulos.

➔ Observe pontos de vista diferentes.

➔ Apresente fatos que ajudem a configurar o problema.

➔ Não encare um problema como algo único.

➔ Amplie sua visão evitando o “olhar viciado”.

➔ Troque palavras

Pronto para colocar a mão na massa?

Já falamos sobre outra ferramenta de inovação social por aqui. Confira:

LOOP DE APRENDIZAGEM: COMO UTILIZAR ESSA FERRAMENTA DE INOVAÇÃO

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