Menos emprego, automatização de tarefas, inteligência artificial. Os desafios para o futuro dos negócios já estão postos. O Brasil, segundo Gil Giardelli, ainda deixa muito a desejar quando o assunto é pensar a inovação e construir um projeto de nação preparada para os novos tempos.

“Estamos formando legiões de pessoas que vão ser desempregadas, pois estamos criando pessoas para trabalhar nos moldes do século passado”, alerta.

Gil Giardelli é um estudioso de inovação e economia digital, com 19 anos de experiência, difusor de conceitos e atividades ligadas à sociedade em rede, colaboração humana, economia criativa, inovação, transformação digital, Quarta Revolução Industrial, empreendedorismo social e estudos do futuro. Em 2018, criou o MBA da Gestão da Mudança e a Transformação Digital para o Conselho Nacional da Indústria (CNI), buscando colaborar com a indústria na sua transformação no século XXI.

Conversamos com ele sobre transformação digital, inovação e como os pequenos negócios podem se preparar para as mudanças na economia e nos modelos de trabalho que já estão acontecendo. Confira!

1 – Antes de mais nada, gostaria de pedir a você para comentar o cenário atual e quais grandes movimentos mundiais, como a popularização da inteligência artificial, vão impactar os negócios em médio prazo?

Estamos vivendo uma mudança de era, e a Quarta Revolução Industrial já está acabando. Dentro desse conceito, começa o que muitos especialistas chamam de “a economia da inteligência artificial”, que não tem só a ver com a inteligência artificial. Para se ter uma ideia, os 32 países da OCDE que já estão com políticas implementadas dessa economia têm registrado os menores índices de desemprego da última década. Ao contrário do que é dito, a automação não está tirando o emprego, mas sim criando empregos. Qual é o problema? É um descompasso entre o que está se ensinando nas escolas de empreendedorismo e de administração de negócios com o que é necessário hoje. O que a gente estuda na alta academia é o que chamamos de executivos preditivos, isto é, aqueles que conseguem separar os ruídos dos sinais do futuro e entender como vai ser esse futuro próximo e qual tipo de negócio será mais importante para essa nova era.

É necessário saber se movimentar com rapidez, com inteligência, entender que tudo aquilo que pensamos no século passado sobre economia já acabou, ou seja, era o conceito econômico da curva da classe média, e estamos criando outros tipos de nicho. E, mais do que isso, vivemos em um século asiático, um século em que a Ásia está na liderança do jogo. Então, é pensar como que nós, brasileiros, podemos deixar nossos negócios e nossos investimentos abertos aos chineses, aos tailandeses e a outros países que estão consumindo muito mais que os europeus.

 

2 – Transformação digital e inserção de tecnologia

O último ponto da transformação digital são as ferramentas. Hoje, temos ferramentas totalmente gratuitas, muito eficientes para micros e pequenos empresários. O que é mais difícil é a mudança cultural do empreendedor. É aquele empreendedor que chamamos de ‘bonsai’, ou seja, temos de [que?] dedicar um tempo estudando como ele pode automatizar uma série de atividades e processos que tiram o seu tempo, para que ele possa pensar melhor no seu produto, no seu serviço.

Fazer a gestão da empresa de forma digital, não importando se é uma padaria ou uma oficina ou um salão de beleza, é ganhar tempo para pensar no que é mais importante. Para se ter um exemplo: recentemente trabalhei com uma empresa pequenininha, mas agora é gigante, que se digitalizou. E é uma empresa que fabrica paçoca!

3 – A transformação digital então é inevitável, na sua opinião, independentemente do setor ou do tamanho das empresas?

Sim, todas elas terão de digitalizar seus negócios – e aí não estamos falando de site, de blog, nada disso; mas sim de digitalizar os processos. Hoje se perde muito tempo em processos que podem ser resolvidos com simples ferramentas de automação.

4 – Fala-se muito de inovação nos dias atuais. Assim como o digital, você acredita que a inovação é para todas as empresas?  Padarias, confecções… esses negócios devem considerar a inovação?

Sim. O crescimento da economia nos próximos anos vai ser pujante, falando até 2030: 70% de todo o dinheiro do mundo virá do que chamamos da ‘economia da inovação’. Atualmente, aqui no Brasil, por exemplo, as padarias ou as sorveterias que conseguem fazer produtos novos estão sendo inovadoras e trazendo mais lucratividade. E, competir só no que chamamos de commodity, você compete em preço, que está caindo cada dia mais. Isso é um grande problema hoje para a sociedade em geral. Commodity não tem jeito. Todos os preços vão cair de forma muito vertiginosa.

5 – Como esse empreendedor pode tornar a inovação uma mentalidade em sua empresa, então?

Primeiro tem de dedicar um tempo de estudo sobre isso. Aqui no Brasil, infelizmente, a gente ainda tem muitas falácias sobre o que é inovação. Então é importante ele entender sobre os tipos de inovação, o que é apropriado. Em segundo lugar, mesmo se você for o único sócio da empresa, convide pessoas, da sua família ou amigos de áreas diferentes, faça um comitê ou um café da inovação, que seja, a cada quinze dias, para discutir como eles acham que deveria ser a empresa.

Além disso, é importante usar ferramentas do que se chama de aprendizado social a fim de que essas pessoas possam falar . No meu site, eu disponibilizo um mapa de contextos, por exemplo, que eu trouxe de Stanford, para que as pessoas usem.

O importante é praticar, colocar a inovação na agenda. Um dos grandes problemas é que, na atualidade, as pessoas estão sem tempo. Quando tudo é para ontem, não sobra tempo para nada. Antes, qualquer empresa deveria ter eficiência operacional e eficiência financeira. Mas agora estamos falando de ter tudo isso e ainda a eficiência da inovação.

6 – Como as pessoas devem se desenvolver para não serem ‘engolidas’ pelas mudanças do mercado e como fazer uma gestão de pessoas eficientes, em um momento em que a tecnologia ganha tanta importância?

Em primeiro lugar, elas não devem perder o poder da curiosidade. Há muito conteúdo gratuito disponível na internet. É preciso entender que, mais do que isso, o processo de estudar não é para valer nota. Se você não for um bom empresário, porém, isso não vai te trazer lucro. Assim como processos de como fazer fluxo de caixa, estudar faz parte do seu trabalho.

Com a entrevista do Gil Giardelli, é possível perceber que pensar a inovação e se preparar para implantar uma transformação digital nos negócios é urgente, não é mesmo? Entenda como criar uma cultura de inovação na sua empresa. Inovar pode ser mais simples do que você imagina, e ela começa pela cultura. Vale a pena a leitura!

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