O investidor-anjo não poderia ter sido batizado com outro nome: são investidores que protegem sua empresa quando ela ainda não tem recursos para se manter e com isso a ajudam a prosperar.

Mas quem são essas pessoas? Qual é a contrapartida quando investem em startups? Neste artigo, vamos entender melhor o que significa ser investidor-anjo, falar sobre as mudanças na lei de 2017 que incluíram os investidores e dar algumas dicas para você conquistar o interesse de um.

Vamos lá?

 

O que é um investidor-anjo

Para começar, o investidor-anjo pode ser pessoa física. Ou seja, é alguém com capital disponível para colocar em startups a sua escolha. Normalmente, cada um entende de um mercado específico e tem suas regras para optar pelas empresas com mais potencial de crescimento.

Aliás, o investidor-anjo não oferece apenas seu dinheiro, mas também seus contatos profissionais e a experiência de ter sido um empreendedor. Mesmo sem ter liberdade de tomar decisões pela empresa, ele pode oferecer conhecimento técnico muito útil.

É importante ressaltar também que o investimento-anjo não vem necessariamente de apenas uma pessoa, com a possibilidade de ser pessoa jurídica. Pode ser fruto de um fundo, com um grupo de duas a cinco pessoas. Em termos de montante, podemos dizer que os aportes ficam entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão.

O trabalho de um investidor-anjo tem impacto sobre o mercado e sobre a sociedade, gerando empregos e fazendo as startups crescerem. Mas não se trata de uma atividade filantrópica: logicamente os investidores recebem retorno de seu investimento.

Foi depois de perceber isso que o governo federal incluiu o investidor-anjo nas novas regras, regularizando a atividade no país. Entenda as mudanças abaixo.

 

Mudanças de 2017: entra o investidor-anjo

Antes de 2017, o papel do investidor-anjo nas empresas era considerado uma anomalia jurídica. Considerando que o seu aporte era alto em comparação aos sócios da startup, havia dúvida sobre o quadro societário e seu poder de decisão dentro da empresa.

Além disso, havia o desenquadramento do investidor-anjo na modalidade Simples Nacional. Isso porque, normalmente, o investidor atua em mais de uma empresa, tornando-se um “grande negócio”.

As mudanças foram decididas em 2016 e entraram em vigor em 2017. Podemos citar:

  • O aporte trazido pelo investidor não integra mais o capital social da empresa.
  • As partes devem firmar um Contrato de Participação, com vigência menor do que sete anos.
  • O investimento pode ser feito tanto por pessoa física quanto pessoa jurídica.
  • O investidor não pode trabalhar na empresa investida, não é considerado sócio nem tem direito à gerência ou a voto nas decisões.
  • O investidor-anjo não responde pelas dívidas da startup.
  • É remunerado por seus aportes nos termos do Contrato de Participação por até cinco anos.
  • O valor do aporte não soma na conta de receita da sociedade e não soma no enquadramento do Simples Nacional, permitindo que a empresa continue usufruindo de benefícios para pequenas e médias empresas, como impostos reduzidos e simplificação tributária.
  • Ao fim de cada ano fiscal, o investidor-anjo tem direito sobre os lucros da empresa, sempre conforme o contrato, mas sem ser superior a 50% do total.
  • Caso o investidor queira resgatar o valor investido, deverá fazê-lo apenas após dois anos e sem ultrapassar o valor do investimento mais correção (definida no contrato).

Tudo o que não se enquadra nessas regras é decidido no Contrato de Participação. Procure ajuda de assessoria jurídica para confeccioná-lo, pois é importante que seja positivo para todas as partes envolvidas.

Acesse aqui a Lei Complementar nº 155/2016 para outros detalhes.

A seguir, algumas dicas para conquistar o seu investidor-anjo.

 

Como conseguir aporte financeiro

Já falamos por aqui sobre qual tipo de investimento você deve procurar de acordo com a fase da startup, além de outras dicas. Se estiver curioso, entre aqui.

Se você ainda está na fase inicial, é exatamente o investidor-anjo quem você deve procurar. Mas como conquistar o interesse dessas pessoas? Veja alguns passos:

  • Conheça seu propósito: com investimento ou sem ele, ser empreendedor de startups requer bastante tempo. Por isso, tenha certeza de que aquilo é realmente a sua paixão – investidores sabem reconhecer a dedicação de empreendedores.
  • Seja capaz de mostrar a sua ideia: para que o investidor-anjo perceba potencial na sua ideia, ela precisa ser mais do que apenas isso. Saiba demonstrar como ela tem consistência e é inovadora e resolve um problema do público. Visando organizar esses pensamentos, uma boa ideia é utilizar o Business Model Canvas – aprenda aqui.
  • Conte com uma boa equipe: não basta ter o conceito pronto sem pessoas qualificadas para colocá-lo no mercado. Investidores vão olhar para o potencial da sua equipe; por isso, preocupe-se em recrutar os talentos certos. Algumas dicas de recrutamento e seleção aqui.
  • Entenda o objetivo do dinheiro: antes de procurar um investidor-anjo, você precisa saber para onde vai aquele dinheiro, uma vez que for recebido. Em quais áreas da empresa você vai aplicá-lo para que ela cresça? Quanto deve faturar fazendo isso?
  • Procure pelo investidor-anjo certo: como falamos acima, o investimento não é apenas questão de dinheiro, mas também de contatos e compartilhamento de experiências. Por isso, procure por anjos que tenham a ver com o seu segmento e entendam realmente a sua ideia. Isso pode ocorrer organicamente, já que os investidores têm tendência em procurar empresas de áreas parecidas com a sua.
  • Prepare seu pitch: nem sempre você terá várias oportunidades de encontrar com investidores. Por isso, prepare muito bem o seu pitch, isto é, a apresentação rápida da startup, destacando os pontos principais e demonstrando por que é interessante investir nela.

Se você tem dúvida nessa parte, não deixe de acessar nosso ebook: Guia do Pitch Perfeito. Saiba o que é um pitch, como escolher as melhores estratégias e exemplos de pitches que deram certo.

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