Quando era diretor de Marketing e Comunicações do Tinder, Andrea Iorio foi a um encontro da empresa e se deparou com uma conversa que o deixou incomodado: ao falar para um novo colega qual era seu trabalho, Andrea ouviu a resposta de que aquilo não poderia ser possível, já que ele nunca havia visto uma só propaganda do aplicativo.

Em um primeiro momento, Andrea se entristeceu ao pensar que o Tinder gastava tanto com Marketing e ainda assim não estava sendo visto. Ao analisar, porém, mais profundamente o cenário, o profissional concluiu que é aí que está o verdadeiro sucesso: por meio da estratégia que cunhou como Marketing Invisível, o Tinder conseguiu, em seis anos, ser o aplicativo que mais fatura no Brasil e no mundo.

Andrea Iorio palestrou sobre “Os 3 Segredos do Marketing Invisível” durante a última edição do Reload, o seminário de marketing digital do Sebrae Minas. Neste artigo, aprenda os três pilares dessa teoria e o potencial que ela tem para que você faça diferente, e evidentemente seu negócio cresça.

O Marketing Invisível

O conceito de Marketing Invisível parte do princípio básico de que absolutamente tudo o que a empresa faz é marketing, uma vez que a qualidade do atendimento, dos serviços ou produtos e de todo o contato que o cliente tem com a marca impacta a sua decisão pela compra, bem como a sua fidelização. Para aplicá-lo, é preciso pensar de forma mais ampla do que o Marketing convencional, entendendo que não são somente propagandas e posts que anunciam a marca.

Por isso, todas as ações da empresa, e em especial as do time de Marketing, precisam:

  • Garantir uma experiência.
  • Ter como base a conversação entre as pessoas.
  • Desenvolver-se de forma aspiracional.

Entenda melhor cada um dos pontos a seguir.

  1. Experiência: retenção como prioridade

Em primeiro lugar, está a experiência do cliente ou prospect com a marca. Assim, a retenção deve ser colocada como grande prioridade das interações. Se a empresa encanta e engaja o possível cliente de início, será muito mais provável que esse decida comprar alguma coisa. Da mesma forma, se a experiência não for boa, as pessoas vão falar mal da empresa.

A experiência é tão importante que grandes empresas costumam aguardar a formação de uma massa crítica para lançar um serviço em uma nova localidade, por exemplo, a Uber, que demora a chegar em cidades novas.

Por essa razão, Andrea defende uma nova ordem de prioridades nos elementos do funil do Marketing Digital, colocando a retenção em primeiro lugar. Para ele, é melhor trabalhar primeiro em obter uma boa experiência para depois investir no Marketing Digital e na aquisição de novos clientes.

Aqui, se você possui parceiros que entram em contato com o público, é bom garantir que eles possam oferecer essa boa experiência também, senão corre o risco de os esforços do seu time irem por água abaixo.

  1. Conversação: catalisadores de conteúdo

A experiência leva ao segundo pilar, ou seja, a conversação. Hoje, todos somos influenciadores tanto no mundo digital quanto offline, e é mais simples e fácil atrair a atenção das pessoas a partir de recomendações de amigos do que utilizar grandes veículos de comunicação.

Se sua empresa gera boas experiências, existem formas de potencializar mais ainda a conversação. Andrea elenca três gatilhos ou catalisadores da conversação: a personalização, que chama a atenção e cativa o consumidor; a identificação, que naturalmente faz com que o cliente gere conversas sobre o assunto e apresente o produto a quem pode se identificar com ele também; e a polarização, que é o ato de tomar partido, assumir uma posição em discussões em que há divergência, que é uma forma de participar das conversas e gerar apreço e também de identificação dos consumidores com as marcas.

  1. Aspiração: paixão pela marca

O terceiro pilar do Marketing Invisível é o aspiracional: a marca precisa despertar o apreço, o sentimento e a paixão do consumidor por ela, coisas que marcas como Coca-Cola, Apple e Netflix têm feito muito bem.

Visando conquistar a aspiração, existem alguns caminhos. Um deles, apontado por Andrea, é o minimalismo. Ele defende que a marca fale menos de si, pois as novas gerações rejeitam as autopromoções extensas. “Menos é mais, hoje em dia, no mundo digital”, afirmou durante sua palestra no Reload.

Andrea também entende que o Marketing deve falar o porquê da empresa, o motivo de ela existir, qual é o valor que quer agregar. Esse propósito chega a ser mais importante do que a definição do produto específico que se vende ou a explicação de como é feito, visto que gera mais identificação com quem vai comprar.

Ao juntar as três peças do quebra-cabeças do Marketing Invisível, é possível verdadeiramente transformar a forma de captação, retenção e conversão de novos clientes, porque ele introduz a marca de forma mais natural do que o Marketing convencional e retém com base na experiência. Para sermos mais assertivos e competitivos, nossas práticas de Marketing precisam ir além do que já temos visto e produzido. O Marketing Invisível é uma forma de fazer isso.

Quer saber de outras formas de repensar e reinventar o Marketing? Confira também nosso artigo sobre o Unbound Marketing.

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