Foi-se o tempo em que os processos do setor público eram definidos pela burocracia exagerada. Uma vez que o público-alvo dos serviços governamentais é o cidadão, é preciso criar formas de alcançá-lo e atendê-lo com eficiência.

É importante lembrar que a inovação não diz respeito apenas a recursos tecnológicos. Afinal, a quantidade de pessoas com acesso à internet no Brasil ainda não chegou a 70% da população.

Assim, o setor público enfrenta o desafio de propor soluções que tenham a ver com a realidade da população. Além disso, deve diminuir a burocracia e não limitar o acesso a apenas uma parcela.

Analisamos algumas iniciativas que procuram fazer exatamente isso. Se ficou curioso, continue lendo!

Tecnologias que podem otimizar processos do setor público

As novas tecnologias permitem o crescimento mais acelerado da economia. Também aumentam a disponibilidade de serviços e soluções – se forem utilizadas da maneira certa.

Além disso, causam transformações na sociedade, que fica mais exigente, interativa e participativa. Por isso, essas tecnologias podem fazer muito pelos processos do setor público.

Podemos citar mudanças já consolidadas, como o Portal da Transparência e a consulta pública nos projetos do Senado brasileiro, que ampliaram a participação popular. Mas as possibilidades são ainda maiores.

Multicanais digitais

Os multicanais digitais são um exemplo de como as novas tecnologias alteram a dinâmica dos cidadãos com o serviço público.

Seu objetivo é utilizar novos canais, como redes sociais, na entrega de experiências interativas e integradas, ampliando as abordagens de marketing e comunicação.

Envolvem ainda: canais com mobilidade, portais personalizados, atendimento por chatbots (softwares de atendimento automático) e TV digital, que facilita o acesso do público a todo tipo de informação e aos serviços públicos.

Uma iniciativa ganha espaço com soluções do setor privado para o público. A startup MGov foi criada com o objetivo de oferecer produtos tecnológicos feitos para o desenvolvimento social.

Confira abaixo um debate entre o diretor executivo da empresa, Guilherme Lichand, e o diretor de Inovação da Escola Nacional de Administração Pública, Guilherme de Almeida. A conversa foi mediada pela UMBRASIL:

No vídeo, Lichand explica que inovação nos processos do setor público não é só utilizar WhatsApp e Facebook. É indicado falar a língua do público-alvo, como aconteceria com qualquer estratégia de comunicação no setor privado.

É necessário chegar não só ao cidadão que está nos grandes centros urbanos, mas também aos que vivem na periferia ou em regiões do país que não recebem tanto destaque. Além disso, a preocupação deve ser com locais mais carentes, como unidades de saúde popular e propriedades de agricultura familiar.

Um dos produtos implementados pela MGov foi a pesquisa de opinião por celular. No debate, Lichand explica alguns pontos importantes que levaram ao sucesso da estratégia:

➜ O governo tem a capacidade de atingir todos os cidadãos em forma de instituições: escolas, creches, unidades de saúde, etc. Com isso, os agentes podem fazer o cadastro do cidadão, que recebe notificações e informações via celular.

➜ As mensagens não são só escritas. Também existem as mensagens automáticas por voz.

➜ A partir daí, para responder às pesquisas, a pessoa não gasta nada e ainda ganha créditos de celular (três em cada cinco celulares no Brasil são pré-pagos).

➜ O custo é bem mais baixo do que se fosse uma entrevista face a face.

➜ As dificuldades com relação à qualidade dos dados é a mesma, se comparado a entrevistas pessoais.

Confira outros conteúdos do mesmo estilo na Plataforma UM BRASIL.

Big data

O engajamento social e as ferramentas de colaboração são outras formas de as novas tecnologias permitirem mudanças positivas.

A análise de big data é uma das ferramentas que possibilitam a criação de soluções inovadoras, além de antecipar riscos.

Desde a inserção do digital nos processos do setor público, existe uma demanda gigante de dados a ser analisada. Entretanto, a aplicação do big data não é nova nem facilitada. Quando é implementada, essa tecnologia tem a capacidade de tornar a gestão pública mais eficiente.

Imagine um sistema que analisa tudo o que acontece no dia a dia das cidades. Os sistemas de monitoramento poderiam dar conta de tudo o que o governo precisa fazer e onde atuar para funcionar melhor.

A análise e a disponibilidade de dados massivos podem trazer agilidade e precisão para a ação. Dependeríamos de menos tempo para testar soluções que não dão certo e aplicaríamos as que fossem mais possíveis de sucesso.

Isso não é algo tão distante quanto parece. Especialmente quando falamos do apoio das universidades.

Um projeto do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP) coletou dados de 1.324 pessoas com mais de 60 anos da cidade de São Paulo.

O objetivo inicial do projeto era montar uma base de dados genômicos sobre o envelhecimento considerado saudável. A proposta era entender como idosos que têm boa qualidade de vida, sem doenças características como Parkinson ou Alzheimer, levam a vida.

Entretanto, houve uma surpresa. Foram encontradas 46 mil mutações potencialmente prejudiciais, que não são descobertas em outras populações. Ou seja, isso é resultado da grande miscigenação que há em terras paulistanas.

Com esses dados, o plano é desenvolver soluções para os problemas que estão por vir. Para você ter uma noção, essa pesquisa uniu 200 terabytes de um servidor, o equivalente a armazenar 77 milhões de livros de 295 páginas. Confira a matéria do Estadão.

 

Capacitação de servidores

Para que as tecnologias gerem impactos efetivos nos processos do setor público, é recomendado capacitar os servidores. Confira duas iniciativas que citamos aqui, mas merecem mais destaque:

WeGov

O WeGov é um espaço focado em capacitar servidores públicos em design visando otimizar os processos do setor público.

A escola oferece capacitação em Design Thinking, seguindo a linha de pensamento inovador das empresas privadas. O setor público também pode utilizar as mesmas técnicas aplicadas pelo setor privado a fim de gerar mais valor ao cidadão.

A Oficina de Design Thinking para o setor público busca melhorar os serviços sob a ótica de quem os usa. Por meio das ferramentas do Design Thinking, essa compreende qual é a jornada do cidadão e como ela pode ser aperfeiçoada.

Em uma palestra proferida no A2Lab, Álvaro Gregório, consultor de inovação explica que não se espera do design que ele seja empregado apenas para “deixar as coisas mais bonitas”. É uma questão de entender melhor do que trata o problema, enxergando-o visualmente.

GovLab

Seguindo a mesma linha, mas com foco em empreendedorismo, o GovLab é uma escola e um laboratório de empreendedorismo focado em servidores públicos.

Seu funcionamento é baseado na ideia de que o papel de cada um é muito importante e pode contribuir com transformações significativas.

Por meio de cursos, workshops, webinars e outros, o GovLab oferece uma experiência completa de inovação, que pode ser acessada pela internet ou contratada no formato in company.

Viu só como inovar nos processos do setor público é possível? Saiba mais sobre inovação na gestão pública acessando:

SUSTENTABILIDADE NA GESTÃO PÚBLICA: RESPONSABILIDADES E AÇÕES

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