Você sabia que o Brasil conta com mais de 30 mil fabricantes de cachaça? Tanto industriais quanto artesanais, os alambiques são responsáveis por abastecer o mercado para o consumo, em média, de 11 litros/ano por pessoa.

Esse segmento gera muitos empregos e é fonte de sustento de muitas famílias, especialmente as de moradoras da zona rural. Todavia, com esse nível de consumo e produção, é importante pensar no impacto ambiental e também na necessidade de se destacar no mercado.

Assim surge a produção de cachaça sustentável. Focados em diminuir o desperdício de recursos naturais e economizar, produtores fazem das práticas sustentáveis um diferencial.

A seguir, listamos algumas das características da produção de cachaça sustentável, para que você analise e avalie como aplicá-las no seu alambique.

 

 

O que fazer com o vinhoto

O vinhoto é o resultado final do processo de produção da cachaça. É um material rico em nutrientes, como cálcio e potássio, e um ótimo adubo, que pode ser utilizado em várias atividades agrícolas ou mesmo na alimentação animal.

Entretanto, a recomendação é que não seja utilizado indiscriminadamente. Se feita de forma errada, a adubação com vinhoto pode causar graves impactos ambientais, poluindo águas e o solo.

Cada Estado tem normas técnicas que definem a melhor utilização do vinhoto e visam impedir a poluição das águas. Confira na Secretaria do Meio Ambiente da sua região quais são as regras.

 

Cuidados com a fermentação

O pé-de-cuba, ou fermento, conjunto de micro-organismos utilizado na fermentação da cana-de-açúcar, pode ser reutilizado várias vezes, se forem tomados os cuidados necessários.

Em primeiro lugar, é importante que as leveduras tenham características mínimas, que garantam a sua qualidade. São elas: velocidade de fermentação, tolerância ao álcool, rendimento, resistência e estabilidade.

Com as especificações técnicas de qualidade, é possível conservar o pé-de-cuba e reduzir significativamente o gasto com a compra de novas leveduras. Além disso, durante a produção de cachaça, preocupe-se com os seguintes procedimentos:

● Correto tratamento do caldo e preparo do mosto.

● Quantidade adequada do fermento.

● Controle adequado da temperatura.

● Uso correto de antissépticos e antibióticos.

● Ventilação adequada da sala.

● Acesso restrito de pessoas que não estejam trabalhando na produção.

● Limpeza dos equipamentos.

Sem esses cuidados, é possível que haja contaminação de outras bactérias, gerando fermentação indesejada e consequente desperdício.

 

Utilização de madeira nacional para envelhecimento

A produção de cachaça sustentável tem muito a ganhar com a utilização de madeira oriunda do Brasil para o processo de envelhecimento, feito em barris.

O mais comum ainda é utilizar o carvalho, que não é nativo do país. Mas o uso de jequitibá-rosa ou cerejeira evita a necessidade de importação, além de diminuir a acidez da bebida. Outras madeiras brasileiras que podem ser aplicadas no envelhecimento da cachaça:

● Araruva (Centrolobium tomentosum)

● Amendoim (Pterogyne nitens Tul)

● Cabreúva ou bálsamo (Mycrocarpus frondosus)

● Grápia (Apuleia leiocarpa)

● Castanheira (Bertholletia excelsa)

● Ipê-roxo (Tabebuia heptaphylla)

Um alternativa ainda mais sustentável é plantar as madeiras na propriedade, o que diminui o impacto ambiental e ainda é mais barato do que comprar.

 

Economia de água

A produção de cachaça sustentável precisa levar em conta o uso da água. O gerenciamento desse recurso natural deve ser cuidadoso, a fim de evitar grandes desperdícios, ruins tanto para a conta de água quanto para o meio ambiente.

Conheça duas dicas para economizar água:

● Reutilize a água aplicada na lavagem de vasilhames e em outros equipamentos. Misturada ao vinhoto, ela pode ser usada para regar canaviais. Evite, porém, utilizar esses resíduos em plantações de frutas e legumes ou perto de afluentes.

● Armazene e reaproveite a água de resfriamento e o condensado de caldeira. Como não contém poluentes, essa água pode ser utilizada para vários fins, desde a irrigação até a lavagem das dependências do alambique. Se for devolver ao curso do rio, não deve alterar a temperatura da água em mais de 3º.

Bagaço da cana

Por fim, não podemos nos esquecer do bagaço da cana-de-açúcar, outro resíduo da produção de cachaça que pode ser aplicado em vários lugares. Veja só:

● Combustível nas caldeiras e nos alambiques de fogo direto, que ainda geram cinzas ricas em silício e potássio e podem ser utilizadas como fertilizante químico nas lavouras.

● Alimentação animal, que, depois de algumas análises e correções, pode oferecer os nutrientes necessários a baixo custo.

Produção de cachaça sustentável que traz benefícios

Listamos algumas das principais ações que fazem do seu alambique uma empresa mais sustentável e economicamente mais rentável. Outras atitudes do dia a dia, como separação de resíduos para reciclagem (como garrafas e tampas) e o uso de combustíveis renováveis, como a biomassa, também podem agregar mais à produção.

Para finalizar, separamos um caso de sucesso de produção de cachaça sustentável que gerou bons resultados e chegou a receber um prêmio. Confira:

Caso de sucesso: cachaça Sanhaçu

O alambique de Chã Grande, no Estado de Pernambuco, tornou-se referência de sustentabilidade no mercado brasileiro depois de ser eleito para compor, junto de outros 11 projetos sustentáveis, o Guia 2016 – editado pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Faculdade Getúlio Vargas.

Os projetos selecionados são destaque na criatividade em busca de crescimento, que gera empregos ao mesmo tempo em que respeita o meio ambiente. A Sanhaçu ganhou a atenção por seus esforços na implementação de placas de captação de energia solar.

Em contrapartida, a companhia de energia elétrica isenta o alambique da conta de luz, e o benefício ainda é estendido para casas da região.

E você, quais práticas sustentáveis serão parte da sua produção de cachaça a partir de agora?

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6 EMPRESAS QUE ADOTARAM PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS E GERARAM LUCRO

Fonte: Cachaça Gestor

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