Como precificar projetos na Economia Criativa

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Colocar valor em um fruto da criatividade nunca parece ser uma tarefa fácil. Pensamos muitas vezes que dinheiro e criatividade nunca andam juntos, mas, para quem quer empreender na Economia Criativa, é essencial saber precificar seus projetos!

Especialmente no momento atual, em que o mercado está se recuperando dos impactos causados pela pandemia, é preciso planejar bem cada etapa dos negócios. Isso passa, é claro, pela precificação. Mas, afinal, como definir o preço de produtos e serviços na Economia Criativa?

Esse assunto, que muitos evitam e outros podem não saber como fazer corretamente, é o tema deste artigo. Veja a seguir a forma certa de definir o preço do seu negócio criativo e dicas para não errar mais!

 

Como definir preço na Indústria Criativa: por onde começar

Existem alguns passos básicos para precificar produtos de diferentes setores do mercado. Em relação a modelos de negócio mais tradicionais, é possível seguir fórmulas mais padronizadas para chegar ao valor final ideal.

Normalmente, o processo de dar preço a um produto envolve:

 

 

  • Calcular o custo por produto. Calcule quanto você precisa investir para comprar insumos e criar o produto final. Gastos com matéria-prima e fornecedores são os principais que entrarão neste item.
  • Contabilize as despesas. Em seguida, entram na conta as despesas do seu negócio. Aqui são incluídos os gastos fixos, com aluguel e equipe, por exemplo, bem como os gastos variáveis, que envolvem contas mensais de consumo, gasto com emissão de boletos e mais. 

 

  • Defina margem de lucro. É nesta etapa que você define, em razão dos itens acima, quanto pretende lucrar com seu produto final. Estabeleça uma porcentagem e respeite-a!

 

  • Estude o mercado. Para que um negócio se mantenha competitivo e obtenha lucro, você vai precisar saber se seu público está disposto a pagar o valor definido e, claro, se seus concorrentes praticam preços muito diferentes dos seus. Os dois fatores são decisivos para garantir clientes e lucro.

 

 

Esses são passos simples, mas que nem sempre funcionam para a Economia Criativa. Isso porque, muitas vezes, o produto final requer muito mais investimento de tempo, dedicação e talento do que simplesmente gastos com matéria-prima. Nesse caso, como prosseguir?

Nós temos algumas dicas para quem precisa colocar preço nos projetos criativos seguindo outros parâmetros.

 

Preço por hora de trabalho

Muitos profissionais da Economia Criativa usam o tempo para precificar projetos. Cobrar por hora pode ser uma solução fácil para quem tem dificuldade de estimar o custo de produção, considerando matéria-prima, esforço ou gastos com equipamentos. 

Neste modelo, é viável estabelecer um valor pela sua hora de trabalho, o que pode fazer com que projetos mais complexos custem mais caro, enquanto os mais simples saem barato para o cliente. 

Dessa forma, também é possível fazer a conta a partir do que você espera ganhar ao fim de uma semana ou um mês de trabalho, por exemplo. Divida o seu salário ideal pelas horas que pretende trabalhar e chegue a um valor original.

Busque informações 

Não importa se você está vendendo um produto criativo convencional ou uma obra de arte única, é sempre uma boa ideia conversar sobre o preço com alguém na Indústria Criativa. 

Se possível, tente falar com uma pessoa que tenha experiência em precificação, como um curador, um gerente de varejo ou um comprador. Também pode ser útil ouvir a percepção de seus colegas ou de artistas mais estabelecidos.

Aposte ainda em pesquisas para definir o preço corretamente. Dados são instrumentos importantes para quem quer tomar decisões mais seguras, especialmente quando envolvem seu futuro financeiro.

Aprenda a negociar 

Negócios da Economia Criativa podem encontrar dificuldades para fechar um preço final claro e, diante disso, o cliente pode pedir descontos e valores mais baixos.

Em momentos assim, uma habilidade específica do empreendedorismo se torna mais importante: o poder de negociar. Existem uma série de técnicas e dicas de negociação que o empreendedor pode aprender e desenvolver ao longo da carreira. Essa prática requer que você ouça o seu cliente, estude as condições que ele pede e tente chegar a um valor que possibilite a venda e continue garantindo o seu lucro.  

A maior parte dessas dicas de negociação ainda envolve conhecer a fundo o seu produto – e seu valor – e estudar bem o seu cliente. É muito importante ressaltar que a negociação deve manter o foco na venda, mas sem abrir concessões demais. É importante que a negociação não comprometa o valor do seu trabalho e que o produto final não tenha qualidade inferior. Nem tudo vale a pena para manter o cliente; então cabe ao empreendedor avaliar se o valor estipulado ao negociar pode resultar em um projeto ou produto que não seja negativo para a sua reputação.

 

Encontre o valor ideal do seu serviço

Talvez esta seja a dica mais abstrata, mas, ao mesmo tempo, a mais próxima da realidade dos negócios criativos.

A verdade é que é muito difícil dar valor a um talento, à arte e às habilidades de alguém. Por isso, é preciso encontrar o valor ideal do seu negócio. Ele vai muito além de gastos e planejamentos.

É fundamental ressaltar que encontrar o valor ideal de um projeto criativo, ou seja, aquele que você almeja para alcançar seu sucesso, passa por etapas objetivas e concretas. Você pode até repetir dicas que acabou de ler para chegar a esse preço.

A fim de chegar no seu valor ideal, compare o seu trabalho, o histórico e o contexto com o de alguém do seu ramo ou que você admira. Tente projetar quanto aquela pessoa ou empresa cobra e quanto fatura. Se possível, converse com eles. 

Considere também o investimento financeiro que você já teve em seu negócio criativo, é claro. Esse investimento pode ser o seu computador, caso trabalhe sozinho, ou até cursos que realizou para desenvolver sua habilidade de trabalho.

Pesquise, avalie os dados e coloque um peso para tudo o que você tem a oferecer com o seu trabalho. Considere sua experiência, a qualidade do produto final e, claro, o quanto seu cliente ideal poderá pagar pelo projeto no fim das contas. 

Dicas para acertar na precificação

 

Não tenha medo de cobrar: As pessoas estão dispostas a pagar por qualidade e criatividade. Além disso, é importante dar valor ao produto do seu esforço, tempo, talento e investimento.

 

Experiência custa caro: Não subestime seu cliente e tampouco tente cobrar preços altíssimos assim que abrir. À medida que sua reputação cresce, seu lucro também aumenta.

 

Aprenda com os erros: Terminou um projeto e sentiu que cobrou barato demais? Registre essa experiência para não errar no futuro. Mesmo que cada um dos seus projetos seja diferente, use as experiências negativas para embasar melhor as decisões. Tendo como referência um prejuízo, é possível refinar a precificação, recalculando o esforço empregado, as horas gastas e os investimentos que saíram caro demais.

 

Refine o processo de negociação: Negociar faz parte do processo de vendas. Especialmente nos projetos da Economia Criativa, não é incomum que o cliente peça descontos ou prazos mais apertados. Explore táticas de negociação e revise todos os passos que leu até aqui para dar o devido valor ao seu negócio sem perder lucro (nem clientes!).

 

A relação com as finanças é complicada para o seu negócio de criatividade? Então, aproveite para aprender a fazer um Planejamento Financeiro completo para a sua empresa.