Não há como negar: o setor das startups é efervescente. Segundo o Diário do Comércio Indústria & Serviços, o número de empresas desse tipo aumentou 207%, nos últimos quatro anos, no Brasil. Mesmo que a sua empresa não se encaixe nessa categoria, há muito o que aprender com as startups no que diz respeito à gestão e à inovação.

Das próprias experiências empreendedoras à posição de Head de Aceleração de startups do SEED, projeto do Governo de Minas Gerais que já acelerou 187 startups nacionais e internacionais em 5 rodadas, com relevância internacional pelo processo de fomento à inovação e ao empreendedorismo, Isabella Corradi ajudou a desenhar a metodologia da aceleradora. Conversamos com ela sobre o processo de aceleração e maturação de startups e as lições que qualquer empresa pode tirar desses processos.

  Bella Corradi

  Key Account Manager na Take

1 – Conte-nos um pouco sobre sua trajetória como empreendedora e também à frente do processo de aceleração de startups no Seed e atualmente na Take.

Sou formada em Publicidade, mas, antes disso, aos 17 anos, tive minha primeira experiência empreendedora: abri uma ‘escolinha’ de aulas particulares para crianças na minha casa. Já na faculdade, atuei na área de Marketing de uma das editoras virtuais do Grupo UOL e na agência Oitoequinze, onde me apaixonei por design, inovação e desenvolvimento de negócios e decidi voltar a empreender.

Dei início à Bellus, agência de papelaria personalizada para eventos sociais. Em 2017, estive à frente de uma nova solução para o mercado corporativo, com a empresa Conecta, e também fui Head de Aceleração de startups do SEED. Lá, fui responsável por desenhar a metodologia que hoje promove o desenvolvimento dos negócios das startups e as conecta com o mercado brasileiro e internacional. Atualmente sou Key Account Manager da Take, empresa referência no mercado de tecnologia conversacional há 20 anos.

 

2 – Como identificar que uma ideia ou um modelo de negócio não é sustentável, ou seja, como saber qual é o momento de pivotar e como é esse processo dentro de uma aceleradora?

É importante dizer aqui que, desde o primeiro dia rodando uma ideia, é necessário intencionalmente testar hipóteses e mensurar os resultados. Só assim, colocando a mão na massa e acompanhando as métricas (mesmo que métricas qualitativas), vamos aprender com o mercado e conseguir evoluir em direção a um caminho sustentável.

Mais do que pivotar ou persistir, devemos focar no aprendizado validado, isto é, não testamos as ideias para dizer “funciona ou não funciona”, mas sim para aprender cada vez mais e ir em direção ao sucesso. Claro que às vezes, durante o aprendizado, veremos que precisamos mudar completamente de caminho, mas isso é natural e não deve ser levado como fracasso. Pelo contrário: quanto mais rápido você fracassar e aprender, mais rápido chegará ao sucesso.

Na aceleradora, nosso papel é orientar os empreendedores nesses testes, ajudá-los a priorizar as hipóteses que devem ser testadas primeiro, acompanhar as métricas e tentar sempre buscar as lições aprendidas para então pensar nos próximos passos.

 

3 – Algumas startups, embora tenham o aporte financeiro, encontram dificuldades para contratar mão de obra qualificada. Qual é a queixa mais comum das startups nesse sentido (competências e habilidades  necessárias nas startups mas que ainda estão em falta no mercado)? Como aceleradoras trabalham essa questão?

O primeiro dinheiro de que uma startup deve correr atrás é o dinheiro do cliente. Não adianta muita coisa ter um investidor por trás colocando rios de dinheiro se seu negócio não realiza uma venda sequer. O valor real do negócio está no valor que o cliente vê, e não em quanto dinheiro a startup consegue captar de investidores.

Nesta situação, muitas startups ficam limitadas, principalmente no início de sua trajetória, a contratar alguém mais qualificado, já que não possuem esse recurso financeiro garantido. Além disso, quando um profissional já está em um patamar mais alto de sua carreira, ir trabalhar em um ambiente de extrema incerteza pode ser um risco muito grande para ele também; são poucas as pessoas que aceitam assumir esse risco e se juntam a startups no início.

 

4 – O que as empresas comuns podem aprender com as startups? Como aplicar a mentalidade das startups no dia a dia de negócios consolidados?

As empresas comuns deveriam aprender com as startups a flexibilidade de se conduzir um negócio e a aceitação dos erros. Muitas empresas se enrijecem e param de evoluir com o mercado, param de aprender com o mundo lá fora e focam no que sabiam fazer desde que começaram. A mentalidade das startups está voltada à experiência, aos testes, ao aprendizado e às possibilidades de mudanças de caminho ao longo do tempo. As startups acabam construindo um produto muito mais voltado à necessidade dos clientes por causa disso.

Para começarem a aplicar tal mentalidade, é muito importante que as empresas tenham alguém como defensor dessa visão/mentalidade dentro da empresa. Apenas criar uma área de inovação não é a solução para gerar soluções disruptivas para o negócio, já que isso não pode ser responsabilidade de uma área específica da organização. A cultura de inovação tem de permear toda a organização, visto ser essencial que atinja todos os níveis hierárquicos e o coração de todos.

 

5 – Em que ponto um empreendimento deixa de ser uma startup e se torna uma empresa?

Antes de responder a essa pergunta, gostaria de resgatar o significado de ‘startup’. Segundo a definição de Steve Blank, reconhecido autor desse meio, as startups são grupos temporários de pessoas em busca de um modelo de negócio repetível e escalável, trabalhando sob condições de extrema incerteza. Em outras palavras, o objetivo de uma startup não é ser uma startup para sempre.

O grande objetivo é aprender rapidamente e encontrar um modelo de negócio que consiga ser praticado de maneira cada vez mais previsível e aí, sim, tornar-se uma grande empresa. Quanto mais hipóteses os empreendedores conseguirem validar e aprender, mais processos conseguirem criar, mais em direção a ser uma empresa estão.

 

6 – E o pós-aceleração? Quais são os principais desafios que as empresas enfrentam? Como elas podem se preparar para seguir no mercado sem todo o aparato que as aceleradoras oferecem?

É muito importante que o empreendedor aprenda durante a aceleração a mentalidade e o modus operandi desse mundo: eles precisam estar sempre voltados à realização de testes, buscar priorizar o aprendizado e validar as hipóteses mais importantes e cruciais para a existência da startup, criar relacionamentos e não ter vergonha de correr atrás de mentores, referências técnicas e investidores.

Os principais desafios de uma startup após um programa de aceleração são encontrar seu encaixe de produto-mercado, conseguir tracionar/alavancar suas vendas, estruturar seus processos internos e time, saber lidar com clientes e possíveis investidores. Muitos se sentem sozinhos quando saem da aceleradora, mas devem lembrar que existe um ecossistema muito colaborativo que está disposto a contribuir com o crescimento dos outros e  participar colaborando também!

Para continuar se inspirando, selecionamos alguns cases de fundadores de startups de sucesso pelo mundo. Confira!

Leia mais sobre Para seu negócio Startup


Quer receber mais
conteúdos como esses?

cadastre-se para receber os nossos conteúdos por email:

Obrigado por cadastrar o seu e-mail. Seja bem-vindo à comunidade Inovação Sebrae Minas.