Inovar é criar algo, modificar padrões, hábitos e costumes. Mas, por algum motivo, muitas vezes a discussão em torno da inovação gira em torno, somente, da tecnologia. Esse entendimento acaba afastando os micros e pequenos empreendedores da inovação, considerando que, para implantar projetos inovadores, será necessário alto investimento em infraestrutura, maquinário ou inteligência tecnológica.

Esse foi o tema da palestra de Gustavo Terra na edição de 2019 da Feira do Empreendedor, realizada pelo Sebrae em outubro, em Belo Horizonte. Graduado em Administração e especialista em Gestão de Negócios, Gustavo é consultor de Gestão e Inovação para pequenos negócios. Palestrante e gerador de conteúdo, já desenvolveu mais de 50 projetos de inovação com empreendedores por meio do Sebrae. Ao levar seu propósito adiante, já impactou indiretamente a vida de mais de 500 pessoas, contribuindo para o desenvolvimento da economia local. Confira, a seguir, a entrevista que fizemos com Gustavo sobre a importância do pensamento de inovação que extrapola os gadgets, os sistemas, as ferramentas e as tendências de tecnologia.

Gustavo, por que temos o costume de sempre atrelar inovação à tecnologia?

A gente sempre relaciona inovação à tecnologia porque a inovação tecnológica é a que a mídia valoriza. Sempre vemos na mídia o lançamento do smartphone, a tecnologia totalmente disruptiva. Isso cria o que eu costumo chamar de ‘mito da inovação disruptiva’: a gente só acha que algo é inovador se for tecnológico ou criativo demais. E não é assim.

É por conta dessa imagem criada pela mídia que acabamos não enxergando as inovações dentro das empresas, em processos e na gestão de pessoas. Acabamos vendo só o produto final, que são as inovações tecnológicas.

Gustavo Terra

  Consultor de Gestão da Inovação

Como é possível, então, desenvolver uma mentalidade inovadora, em vez de somente investir em tecnologias inovadoras?

Primeiramente é preciso entender o que é inovação. O primeiro passo é sensibilizar empreendedores e suas equipes de que, apesar de ser também tecnologia, a inovação não é só tecnológica, não precisa ser extremamente cara – ela pode ser uma ação relativamente simples na empresa sem um custo tão alto –, e não é só para as grandes empresas. A principal palavra, para mim, em relação à inovação é que ela é democrática. Qualquer empresa, de qualquer tamanho, pode aplicá-la, desde que tenha um objetivo definido e desde que isso traga algum resultado.

O conceito mais simples de inovação é que ela é uma ação ou ideia nunca antes aplicada na empresa, que gera um resultado, que pode ser o aumento de vendas, redução de custos, aumento na eficiência de produção, no número de clientes. A principal característica da inovação é gerar resultados, seja para a empresa, seja em valor para o cliente.

Você acredita que todas as empresas, mais cedo ou mais tarde, terão de adotar a inovação tecnológica?

Acredito. As principais feiras do mundo, de varejo e de serviço, valorizam muito a inovação tecnológica. Mas sabemos que, até isso chegar na prática, vai levar um tempo. Mas é um caminho sem volta. A dica que eu dou para os pequenos empreendedores que querem ter inovação tecnológica é usar a tecnologia básica, a que já existe, nos processos da empresa. É passar a fazer um agendamento online; se você tem um restaurante, é entregar via delivery pelo WhatsApp ou usar o Instagram. Começar com a tecnologia básica e, aos poucos, migrar para algo mais complexo. Geralmente, as tecnologias são caras inicialmente, entretanto, quando ganham popularidade, ficam mais acessíveis.

Uma tecnologia que é pouquíssimo utilizada no Brasil é o Sistema de Gestão. As empresas pequenas não usam Sistema de Gestão. E ele é uma tecnologia. Não uma tecnologia disruptiva, mas é uma tecnologia. É preciso começar do básico.

Como medir se a empresa está realmente sendo inovadora? Quais indicadores devem ser considerados quando o tipo de inovação em questão não é a tecnológica?

Depende do objetivo da empresa. O primeiro passo é definir o objetivo. Se a dor interna da empresa são as vendas baixas, o objetivo ao inovar deve ser aumentar as vendas em determinada porcentagem em um período específico. Para medir isso, deve ser medido o faturamento, a chegada de novos clientes. Ou seja, conseguimos usar indicadores básicos a fim de medir a inovação. E, se atrelamos a inovação a resultados, só sabemos se estamos inovando se medimos resultado.

Qual a importância de ouvir cliente e equipe nos processos de inovação?

Equipe é quem está na ponta. Eles é que obtêm, com a fonte primária, quais são as dores dos clientes. É a equipe que dá insights para inovar. Por isso, é preciso ouvir, criar uma cultura que valorize, premie e estabeleça uma comunicação em torno das ideias. Para valorizar, é preciso incentivar a geração de ideias e dar feedback em relação a elas, mesmo aquelas que não serão aplicadas.

Como Gustavo afirma, a inovação deve ser uma cultura, mais do que uma iniciativa pontual ou algo que dependa exclusivamente da adoção de tecnologias. Conheça cinco ideias que vão ajudá-lo a implantar a cultura de inovação na sua empresa e otimize resultados e processos, destacando-se no mercado.

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