O que é metaverso e como ele pode impactar os negócios no futuro próximo – entrevista com Guga Schifino

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Você já ouviu falar em metaverso?

Caso seja uma pessoa conectada, ligada em novidades do mundo digital e da inovação, é muito provável que sim.

O metaverso foi uma das palavras mais buscadas no Google em 2021. Por essa razão, quem quer ficar por dentro das tendências do mercado deve conhecê-lo. Para que não restem dúvidas sobre o assunto, convidamos Guga Schifino, head de Transformação Digital da DX.CO | 4all Group e curador da FFX, para explicar o que é metaverso e como ele não está distante da realidade dos negócios. Confira a entrevista completa

 

1) O que é o metaverso e por que ele não está tão distante de nós?

Metaverso é um ambiente virtual e imersivo. É algo simples de entender e nada mais é do que a evolução natural da utilização das tecnologias para possibilitar experiências mais completas no mundo virtual, no mundo paralelo e no mundo da web. Então, o metaverso é esse mundo paralelo que possibilita uma série de novas experiências focadas cada vez mais em trazer o ambiente para o usuário – para quem estiver utilizando a tecnologia –, que sejam mais agradáveis, mais imersivos e mais sensoriais possível.

Realmente, ele não está distante de nós. Na verdade, ele faz parte do nosso dia a dia pelos games, que já propuseram desde 2015, 2016, os primeiros jogos com realidade um pouco mais imersiva. E hoje se tem o device(dispositivo), com várias possibilidades para auxiliar essa imersividade.

Não é necessário ter um device, o próprio equipamento, para utilizar o metaverso. Mas os devices e os jogos de realidade virtual possibilitam experiências dentro do metaverso mais sensoriais. Então, ele já está entre nós com os games e também entre nós com relação às reuniões de trabalho no ambiente de metaverso. Muitas empresas têm realizado suas reuniões laborais dentro do metaverso, em vez  de usar o Zoom ou o Google Meet, por exemplo.

Então, o metaverso já se encontra no nosso cotidiano, e a tendência é cada vez estar mais, mas não no aspecto de que vai substituir o mundo físico ou  as lojas ou até as empresas que prestam serviço no mundo real. A única coisa que o mundo virtual, o mundo do e-commerce nos mostra, é que ele passa a ter mais oferta de valor, o que não significa diminuir a importância da preocupação com o mundo físico. No final do dia, a melhor frase é: quanto mais virtual e digital a gente estiver, mais humano a gente precisa ser para manter o equilíbrio.

2) Como o metaverso pode impactar os negócios?

O metaverso não só pode impactar os negócios como já está impactando. A verdade é que as compras em ambiente virtual hoje passam a ter outras possibilidades quando utilizamos o metaverso. Isso já tem impactado crianças americanas, que optam por comprar produtos para seus avatares dentro do metaverso, dentro dos games, em grande proporção. O resultado é o seguinte: 31% das crianças americanas estão dispostas a gastar até 200 dólares por mês em coisas para seu avatar. Então o metaverso já está interferindo.

No Brasil o impacto é um pouco menor, mas também é relevante, Então, os negócios são e serão impactados pelo metaverso. E é nesse ambiente que se deve melhorar as compras virtuais. É aí que ele atua: em toda e qualquer compra virtual.

É importante a gente estar onde o cliente está e ofertando na hora que o cliente precisa aquilo que é relevante. E o metaverso consegue fazer isso dentro desses ambientes no qual o cliente está inserido – seja pra assistir a um show, onde se pode ofertar um produto daquela pessoa que está se apresentando, seja também consumir itens que estão relacionados a consumos diários, como um hambúrguer, por exemplo. Então ele já impacta e é nesse sentido que ele traz bastante oportunidades.

3) Quais os benefícios em curto prazo do metaverso para os negócios

O metaverso pode ser muito útil para criar comunidades, para as empresas que, independentemente do tamanho, podem fazer o que é chamado de gamevertising – onde está o seu cliente e qual o game que ele está usando. A gente tem 3,6 bilhões de gamers no mundo; desse modo, é bem provável que o cliente esteja na sua loja ou alguém da família  esteja utilizando esse games e, provavelmente, a pessoa que está fazendo uso desses games impacta fortemente no consumo da família e acaba tendo o poder decisório na mão de quem é das gerações Z e Alpha das famílias brasileiras.

Nessa situação, creio que os benefícios de curto prazo do metaverso para o negócio  é ele já ser inserido nesses ambientes para fazer anúncios e trazer possibilidades à empresa. E o outro benefício é se aproximar dessas plataformas para tentar entender como é que o cliente pretende e como ele já está consumindo. Então, tem o aspecto de aprendizado, que pode trazer muitos benefícios à empresa e também no que se refere à divulgação.

4) Do ponto de vista do consumidor e do que eles esperam das marcas, o que os negócios precisam fazer para entregar valor e criar uma boa experiência, especialmente com a chegada das gerações Z e Alpha?

A geração Z já representa 36% da população do planeta e já impacta 50% do consumo. Assim, é absolutamente necessário que a gente fique no mesmo passo, na mesma velocidade dessa geração para termos os nossos negócios relevantes. O que precisa ser feito e que todos os estudos e as pesquisas demonstram é que esses clientes têm 3 itens que eles valorizam muito: decisão do que vão consumir, qual marca vão seguir e a qual comunidade vão pertencer.

Uma delas é a transparência, isto é, uma coisa muito legal da importância das empresas, independentemente do tamanho; em especial, as pequenas, porque têm muita clareza do seu propósito e daquilo que vieram ao mundo para fazer.

Outra é a velocidade: tudo tem de ser muito rápido. É o feito melhor do que o perfeito; então, precisamos realmente acelerar na entrega dos serviços ou dos itens que foram adquiridos ou da experiência que foi vendida de uma maneira muito rápida.

E, por fim, a gente precisa fazer tudo isso com uma relação custo-benefício muito eficaz, valorizando muito os aspectos de impacto ambiental e, principalmente, entregando um produto que passa a ser comprado a baixo custo ou, efetivamente, um produto que possa depois ser revendido. Ou seja, eles valorizam muito o aspecto do custo-benefício daquilo que estão comprando.

Estes três pontos são determinantes para o sucesso com essa geração: transparência, velocidade e custo-benefício.

5) Quais dicas práticas você dá para que os pequenos e os médios negócios possam se adaptar às mudanças e manter as empresas competitivas?

A primeira dica que eu dou para o pequeno negócio é ele realmente ‘botar a sandália da humildade’ e olhar para dentro e questionar o que realmente está sendo entregue de valor.

‘Qual é o propósito dele? Se ele deixar de existir amanhã, quem é que vai se importar? É só o dono do negócio que vai ficar sem a sua renda se o negócio fechar amanhã ou a comunidade e as pessoas que compram seus produtos vão ficar tristes também?’

Então, a primeira dica é verificar a relevância do que você está entregando de valor da sua empresa para a sociedade e seus clientes. Isso é cada vez mais válido, e cada vez as coisas ficam mais fáceis de ser compartilhadas e de ser distribuídas nesse ambiente virtual.

Uma segunda dica que eu dou para o pequeno negócio ou para as empresas de uma pessoa só é que eles perguntem mais sobre o que fazer ou como fazer. Não só o apoio do Sebrae é fundamental aqui, mas também o das comunidades onde eles estão inseridos e se dedicando a conversar com pessoas diferentes deles. O mundo tem pensamentos muito diversos sobre muitas coisas, e esses pensamentos  têm de ir para dentro da empresa. Então, para as pequenas empresas, que às vezes são comandadas por uma pessoa só, e essa pensa com ‘a cabeça dele’ e não olha para todos os pontos relevantes e que, às vezes, têm uma solução que não impacta porque não teve um olhar dirigido a todas as possibilidades.

E, por fim, uma terceira dica que eu daria é: criem uma comunidade. Efetivamente, apresentem uma proposta de valor que faça sentido e gere conteúdo. Isso é a maneira de como vocês vão estar próximos da web 3.0 e preparando a empresa para o futuro. Se ela não tiver um conteúdo para entregar ou se ela não tiver efetivamente consciência de que é responsabilidade dela saber sobre aquilo que ela vende e ensinar e compartilhar sobre aquilo que ela vende, dificilmente ela terá sucesso neste mundo que a gente tá vivendo.

6) Com o que você acha que o pequeno deve se preocupar em um futuro próximo?

Sem dúvida, a maior preocupação do pequeno negócio, num futuro próximo e em curto prazo, não é com o metaverso. Não são as coisas com ainda baixa volumetria. Ele tem muito mais é que olhar o que ele tem de pendência antes de sentir a tendência.

A realidade é que as empresas pequenas têm a possibilidade de interagir com o cliente como sendo único. Talvez hoje esse pequeno negócio ainda não saiba o nome do cliente ou o aniversário dele ou o que ele mais gosta, por exemplo. Então, tem coisas hoje que podem ser adquiridas com solução simples e barata, ou seja, são softwares e empresas-service, que são adquiridos no mercado, possibilidades de CRM, possibilidades de análises de MPS(Master Production Schedule “Plano Mestre de Produção ou Planejamento Mestre da Produção”), possibilidades de ouvir esse cliente de forma bastante simples. Soluções que, com 100 reais por mês, o cliente consegue ter informações relevantes do ambiente onde ele está inserido e começar a cuidar e a guardar os dados desse cliente para passar a ofertar algo que tenha mais consistência com o que o cliente precisa no momento em que ele está.

Nesse contexto, acho que no momento atual, não é com o metaverso que devemos nos preocupar, e sim com dados. É pensar como conhecer um pouco melhor o que está acontecendo e guardar e transformar isso em proposta de valor da empresa. Creio que essa deveria ser a preocupação imediata do pequeno negócio.

7) Você tem alguma dica para quem empreende ficar por dentro das tendências e descobrir mudanças que devem impactar seus negócios?

A minha dica de conteúdo para eles se manterem atualizados é que dediquem todos os dias um tempo, seja no caminho para o trabalho, seja quando estiver em casa, para escutar podcast  e conteúdos. O Sebrae desenvolve um trabalho incrível de conteúdo que se encontra disponível neste portal da inovação e muito mais gente oferta isso. Acho que o podcast tem trazido rapidamente muita coisa legal também.

Tem muita coisa legal para ser vista e acompanhada. O Sebrae está lançando uma série de mais 10 podcasts; a instituição produziu uma no ano passado – que vale a pena voltar e ouvir . Então, a ideia é ir atrás. Você não vai receber nada de mão beijada. Você também deve assistir a séries, que são muito legais e que estejam relacionadas a esse ambiente. Outra dica é ter paciência e ler alguns livros voltados ao assunto. 

De qualquer forma, eu entendo que este momento tem que ser de dedicação e buscar conteúdo a respeito desse tema.

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