Perspectivas para o setor de franchising em 2022 e no pós-pandemia. Entrevista com Danyelle Van Straten, sócia-fundadora da Depyl Action

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Depois de enfrentar grandes baques econômicos causados pela pandemia, as franquias já voltaram a crescer e enchem os olhos de quem quer investir com segurança em um novo negócio.

Dados da ABF mostram que o setor cresceu 10,7%, em 2021, mesmo em meio a restrições para atividades presenciais e isolamento social. Somadas as 11 categorias de franquias mapeadas pela ABF, o faturamento do setor, no ano passado, foi de R$ 185 bilhões.

Então agora, em 2022, qual é o cenário para o franchising?

Para entender as perspectivas do franchising em 2022 e no futuro próximo, conversamos com Danyelle Van Straten, sócia-fundadora da Depyl Action, rede de franquias do segmento de beleza, saúde e bem-estar, especializada em depilação. Confira a entrevista agora!

1. O varejo, de forma geral, vive uma perspectiva positiva com o pior da pandemia passando. Com a reabertura das lojas e um novo gás no comércio, podemos esperar uma retomada expressiva em 2022?

A gente tem percebido uma retomada bem gradativa e consistente no franchising em todos os segmentos. É claro que alguns crescem mais que outros, até por causa de uma demanda reprimida, mas também em razão dos novos modelos de negócio que surgiram na pandemia. Então, a expansão está acelerada, e a busca por novos negócios está bem aquecida, sim.

2. Ainda pensando no período dos últimos dois anos, qual foi o principal aprendizado do setor de franquias?

Sem dúvida nenhuma, é o meio digital, que se tornou exponencial nesses últimos dois anos. Empresas que não estavam no e-commerce se viram obrigadas a estar, e muitas empresas que nasceram no e-commerce estão fazendo o caminho inverso, indo para o ambiente físico também. Um grande aprendizado é que, com certeza, vai se potencializar ainda mais e escalar rápido a evolução digital que tivemos nesse período.

3. No universo do franchising, existem segmentos que estão ou estarão mais em alta neste ano?

A gente tem o segmento de construção que continua em alta, bem como os segmentos de saúde, beleza e bem-estar. As pessoas estão buscando qualidade de vida cada vez mais. Acho que a pandemia trouxe esse valor à vida e à busca pelo autocuidado, que também vem crescendo. Esse segmento deve continuar evoluindo muito fortemente.

4. Para quem quer começar a investir em franquias, quais são as maiores oportunidades deste ano?

O franchising é uma ótima opção para quem está buscando investir, pois ele traz uma inteligência colaborativa do grupo de franqueados. Isso faz com que o negócio saia muito mais facilmente das crises, das dificuldades e tenha a capacidade de se reinventar, de resiliência muito grande. O franchising então é uma oportunidade para quem quer investir, quem quer escalar e não tem esse know-how. Além disso, mesmo para quem o tem, eu acredito que ‘o pequeno se torna grande’.

5. E quais seriam os desafios de quem deseja entrar nesse mercado?

Os desafios também existem, como as oportunidades. Quando você passa a seguir um padrão, você precisa se adaptar a ele, respeitar esse modelo de negócio e evoluir sua operação a partir daí. Então não dá para mudar ou reinventar completamente a roda: você entra em uma roda já girando e é preciso que isso seja bem entendido. Afinal, você foge do padrão, e isso é muito ruim para a marca.

6. Para começar a investir em franchising, quais seriam os primeiros passos? E quais são as características esperadas de quem empreende no setor?

Muita gente me diz que tem vontade de abrir um negócio, ser franqueado ou transformar seu negócio em uma franquia e me pergunta sobre o primeiro passo. O primeiro passo é buscar conhecimento, em parceria com a ABF, por exemplo. Nós (na ABF) temos um curso em parceria com o Sebrae e também nas nossas plataformas digitais, que é o ‘Entendendo o Franchising’. Essa é a base de tudo, muito importante para qualquer pessoa que esteja almejando abrir uma franquia.

Além disso, é fundamental entender, nesse processo, se você tem o perfil para ser franqueado ou franqueador. Essas características são muito importantes para o sucesso do negócio.

O franqueado precisa pensar ‘micro’ e operar da melhor forma aquele seu negócio. Enquanto isso, o franqueador precisa pensar ‘macro’, ter uma visão de longo prazo. E o relacionamento tem de ser construído no dia a dia entre as duas partes, já que é uma parceria. Uma parceria em que você licencia a sua marca para um empreendedor, e ele tem de representar os seus valores e mostrar toda uma sinergia. Assim, no fim, você consegue entregar aquela verdade, aquela promessa de marca ao cliente final.

Para tudo isso acontecer, é importante que exista uma identificação com o segmento, com a demanda de mercado e com a marca que você vai escolher para seguir.

7. Por fim, pensando em inovação no setor de franquias, você tem algum case para compartilhar com a gente?

Na Depyl Action, no período da pandemia, nós fizemos um processo de inovação colaborativa. Elaboramos um fluxo de criação de projetos de inovação, em que os franqueados e os colaboradores participam tanto na linha de frente de operação quanto na linha de frente de novos serviços ou produtos.

Existe um Comitê de Inovação Interno na franqueadora que decide se os projetos seguem para desenvolvimento ou não. Aí, há a possibilidade de ser criado um piloto que pode ser operado pelo franqueado ou pela franqueadora, de acordo com a complexidade do projeto. Assim, conseguimos acelerar a nossa capacidade de inovação em rede.

Quer continuar aprendendo a respeito de inovação no modelo de franchising? Então confira o nosso artigo e descubra, de uma vez por todas, como é possível inovar em franquias.