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Geração Z: Insights para os Negócios - Entrevista com Mari Galindo, da Nice House

geração Z

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Compreender o comportamento das novas gerações é uma tarefa muito importante para quem quer decifrar as dinâmicas sociais, econômicas e culturais que moldam nosso mundo. Especialmente a geração Z, composta por indivíduos nascidos entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010, apresenta características únicas que diferem significativamente das gerações anteriores. Crescendo em um ambiente digitalizado, esses jovens demonstram um domínio inato das tecnologias e uma abordagem distinta em relação ao consumo, ao trabalho e ao engajamento social. 

E, no fim das contas, o que o comportamento desses jovens pode ensinar empreendedores e empresas? Como podemos traduzir as mudanças vividas e sentidas por esse público em insights que ajudem a criar as melhores soluções e atendê-los da forma que eles esperam?

Para explorar o assunto, convidamos Mari Galindo, especialista em comportamento da geração Z e fundadora da Nice House, hub de entretenimento para a geração Z que mantém uma rede com criadores de conteúdo de todo o Brasil.

1. Antes de mais nada, que tipo de critério marca a passagem de uma geração para outra? É apenas a idade ou existem outros fatores que ajudam nessa distinção?


A passagem de uma geração para outra não é determinada apenas pela idade. A idade é um critério importante, mas existem outros fatores que também desempenham um papel na distinção entre gerações. Alguns desses fatores são eventos históricos significativos, mudanças culturais, avanços tecnológicos, tendências de comportamento e valores que distinguem uma geração da outra.
A idade que um determinado grupo passa a influenciar o consumo e inicia como força de trabalho também é um fator que gera curiosidade e conexão como critérios de passagem. Isso porque esses elementos contribuem para moldar as diferentes perspectivas, experiências e características que caracterizam cada geração.

2. Como você descreveria as principais características comportamentais da geração Z em comparação com as gerações anteriores?


Um dos principais pontos do comportamento da geração Z é ser a geração que não conhece o mundo sem internet, ou seja, seu comportamento social é muito moldado pela utilização da internet/redes sociais e por os serviços disponibilizados digitalmente, principalmente através dos smartphones. É um geração de múltiplas habilidades e também bastante pragmática por conta da quantidade de informações a que são expostos e analisam constantemente via interação digital. Além disso, é uma geração que tem em seu comportamento, principalmente no Brasil, hábitos influenciados tanto pelos EUA quanto pela Ásia, mais fortemente a Coreia do Sul, por causa da globalização e da influência dessas culturas na construção de cultura pop. Outro ponto a destacar diz respeito à ansiedade e às questões de saúde mental, bem como à conscientização social e ambiental, isto é,  traços fortes do comportamento da geração Z 

3. Quais são as tendências mais marcantes que você observa na maneira como as gerações mais novas buscam e consomem informações em comparação com outras gerações?

A geração Z tem uma abordagem mais digital, instantânea e personalizada ao buscar e consumir informações. Eles preferem plataformas online e redes sociais para acesso rápido e conteúdo relevante. A tendência para essas gerações é consumir informações de forma multimídia, como vídeos curtos e formatos visuais, além de valorizar a autenticidade, a interação e o compartilhamento de conteúdo gerado pelos próprios usuários. Ao mesmo tempo, eles privilegiam a acessibilidade e a diversidade de perspectivas, demandando transparência e engajamento das marcas e fontes de informação.

4. O comportamento digital e o consumo de conteúdo mudaram muito de geração para geração. Como esse consumo de conteúdo influencia, por exemplo, na relação entre consumidores da geração Z e as marcas?

Consumidores da geração Z valorizam a autenticidade, a transparência e o engajamento das marcas em um nível sem precedentes. Eles preferem marcas que compartilham valores e se envolvem ativamente em causas sociais, ambientais e políticas. Além disso, a geração Z espera uma experiência de consumo mais personalizada, interativa e envolvente e tende a confiar mais em recomendações de pares e criadores de conteúdo do que em publicidade tradicional. Portanto, as marcas precisam adotar uma abordagem mais genuína, inclusiva e responsável em suas estratégias de marketing para estabelecer conexões significativas e duradouras com os consumidores da geração Z.

5. Ainda que essas pessoas não estejam no mercado de trabalho ou sejam responsáveis pelos próprios hábitos de compra e consumo, já se fala muito sobre a geração Alpha, nascida após 2010. O que você já acredita que podemos esperar dessa geração?

A geração Alpha tem um contato com a tecnologia desde muito cedo, e esse tipo de interação pode influenciar em dois comportamentos opostos.Podemos esperar uma geração altamente influenciada pela tecnologia, adeptos da inovação, com fluência tecnológica e foco em questões ambientais e sociais. E, como consequência, consumidores mais exigentes, adaptáveis e criativos. O outro comportamento que podemos salientar é a geração que busca o resgate de conexões mais analógicas, como um efeito rebote em relação ao excesso de exposição da tecnologia. Independentemente de qual seja o comportamento que vai prevalecer, acredito que será uma geração marcada pela imersão em cenários tridimensionais, mudando a experiência do consumo multimídia e também com fortes questões sobre saúde e aumento da expectativa de vida. Outro nome que vem sendo utilizado para se referir à geração Alpha é Centenials, já que acreditam que será a primeira geração a ter condições de saúde muito melhores para viver mais de 100 anos. 

6. Muito se fala sobre tendências das gerações mais novas no mercado de trabalho. Na sua experiência, o que você vê como típico das gerações mais novas, como a geração Z, quando entram no mercado?

Na minha percepção, vejo uma geração que busca flexibilidade no ambiente de trabalho, uso intensivo de tecnologia, disposição para aprender e se adaptar rapidamente, bem como valorização da diversidade, inclusão e feedback constante. Também valorizam ambientes colaborativos com a intenção de estabilidade, diferentemente dos millenials que são impulsionados por um viés de crescimento muito rápido e empreendedorismo. A geração Z busca por  desenvolvimento profissional em equilíbrio com a vida pessoal, colocando o trabalho como parte da vida, e não como o centro da vida. Eles desafiam as estruturas tradicionais, priorizando a função da empresa na sociedade e a realização pessoal, incentivando uma mudança cultural nas organizações.

7. O comportamento de novas gerações vem gerando debates em eventos importantes pelo mundo, como no SXSW. Para empresas e empreendedores que querem entender melhor o comportamento das gerações mais novas, quais seriam os primeiros passos?

Acredito que o primeiro passo é ter um interesse genuíno e ouvir; o comportamento de crítica em excesso, o desrespeito e a desvalorização dos mais jovens têm se tornado um comportamento mais forte na sociedade que antes via nos mais novos a esperança de mudança. A geração Z é uma geração muito aberta ao diálogo, apresenta muitas nuances e consegue se expressar muito bem pelo nível de exposição que tem aos meios de comunicação Ou seja, estabelecer um canal de conversa e transparência com pessoas que são dessa geração e cruzar com dados de empresas e especialistas que estudam esses comportamentos é um bom ponto de partida. 

Vamos aprofundar seu conhecimento sobre o comportamento das gerações e transformá-lo em insights para os negócios? Aprenda também a definir o seu público-alvo conhecendo a fundo suas características!