Como utilizar da sua cultura local para ampliar o seu negócio – entrevista com Breno Cruz, da Bendizê

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A Bendizê é uma marca de moda com identidade mineira e com tudo o que nossa mineiridade tem de melhor. Fundada em Belo Horizonte, no fim de 2017, com o propósito de representar a multiplicidade da cultura mineira de forma leve e atual, a marca consegue um feito importante: incorporar a cultura local para ampliar os negócios.

A fim de explicar como incorporar os elementos da cultura local de Minas em uma marca de sucesso, conversamos com Breno Cruz, um dos sócios e fundadores da marca mineira. Conheça agora um pouco da história da marca e confira dicas de sucesso para trazer a cultura local para um negócio na prática.

1. Primeiro, me conta um pouco sobre o que é a Bendizê. Há quanto tempo ela existe? Como e onde surgiu?

A Bendizê surgiu em um boteco, quando eu morava em Jundiaí (SP). Eu tinha um amigo baiano que usava umas camisetas com essa pegada da Bendizê, mas da Bahia. Eu olhei pra isso e pensei que, aqui em Minas Gerais, não tinha uma marca que fizesse isso, num estilo legal, que seja moda. Passou um tempo, sentei em um bar com dois amigos, comentei a ideia, e eles já toparam na hora. Comendo um torresmo, tomando uma cerveja, veio essa inspiração.

Isso ocorreu em 2016. Fizemos consultoria de branding, de naming, estruturamos a marca e a lançamos em novembro de 2017, pensando já no Natal para inaugurar a marca.

 

2. A Bendizê é uma marca inspirada em Minas Gerais. Como nasceu essa ideia e o que significa essa proposta na prática?

Esse pensamento surgiu de uma necessidade de que o mineiro tem de falar pra todo mundo que é mineiro e também de uma percepção de que Minas e o mineiro são bem vistos em todo canto do Brasil. A gente faz sucesso, consegue fazer amigos, conquistar com o jeitinho mineiro e, por sermos uma marca de moda, conseguimos passar essa mensagem de forma simples e direta, usando uma camiseta.

Essa proposta, na prática, significa passar esse recado. Mostrar que somos mineiros e que temos orgulho de ser, de uma forma muito visual, conectando com pessoas por isso. A gente explora muito esse sentimento, esse bairrismo de ser mineiro, de falar com nosso sotaque. Esse sotaque que não é simplesmente “caipira”, mas sim conquistador, com um jeitinho mineiro, que é charmoso, que arranca risada. Tudo isso reforçando o conceito de sermos uma marca de moda com identidade mineira, que quer elevar a autoestima de quem veste, quer vestir bem essas pessoas com produtos de qualidade, misturando identidade e moda.

 

3. Que elementos de Minas Gerais vocês acreditam que fazem parte da essência da marca?

São vários elementos e eu vou tentar resumir os principais. Primeiro, o sotaque, sem dúvida. A gente começou com estampas muito voltadas para o sotaque e as expressões mineiras que a gente usa no dia a dia, o que cria uma conexão muito forte com o público. Quem bate os olhos nas camisetas reconhece que fala aquilo ou conhece alguém que fale; então, também vira um ótimo presente, com identidade, que é muito mais que um presente comum.

Além disso, trazemos um jeitinho mineiro, charmoso, de conquistar, de fazer amigos. É um “come quieto” mais esperto, sabe? A gente consegue passar muito isso. Tem uma camiseta nossa cuja estampa é “Leve a vida com jeitim”, que é uma expressão mineira, sobre o jeitinho que o mineiro leva a vida, e a pessoa que vê entende isso.

Outra coisa que faz a essência da marca é a essência de gente boa. O mineiro é assim, “gente boa”, querido no Brasil inteiro. Em qualquer estado do Brasil, a galera gosta do mineiro e se relaciona bem com ele.

 

4. Esses elementos da cultura mineira são algo forte pessoalmente pra vocês? Como é a identificação que os sócios, por trás da marca, têm com Minas Gerais?

Essa identificação é muito forte pra nós. Como fundadores, como sócios, a gente veste a  camisa, literalmente, e tem o caráter de levar esse espírito como empreendedores que gostam de levar Minas para fora. Eu e o Leo usamos muito desse carisma que o mineiro tem para conquistar o que a gente tem, então a gente se identifica muito. Eu já morei fora por um tempo e quis voltar logo pra Minas, para morar aqui em BH. Isso é algo que a gente tenta personalizar em nós mesmos.

Sabemos que é desafiador, até tomamos cuidado para não misturar muito nós e a cara da marca. Isso também é um ponto de melhoria e de oportunidade. Eu viajo muito pelo Brasil, mas quero conhecer mais Minas Gerais, conhecer mais a história, mais a cultura. Não só para utilizar na marca, mas para ter um know-how e dizer que sou mineiro de coração e de sangue.

 

5. Que tipo de público vocês esperam alcançar com a marca? É algo mais voltado para pessoas de Minas Gerais ou é um público mais amplo?

É bem legal que nós acertamos muito quando definimos nossas personas (​​link post buyer persona) lá em 2017, mas isso também vai mudando e é bem dinâmico. Hoje nosso público é principalmente de mineiros, a maioria de BH, mas também temos um público que é mineiro, mesmo não morando aqui, mas que tem orgulho de ser mineiro ou conhece alguém que é e gosta de ser. Muita gente compra presentes com a gente para passar um pouquinho dessa cultura de Minas Gerais para outras pessoas. Então é um público adulto, que, mesmo sendo uma marca com uma cara mais jovem, atinge um público a partir de 25 até 50 anos, em média, e que também tem uma presença online muito forte. Assim a gente espera alcançar um público que é daqui e tem orgulho de ser mineiro e um público que é de fora, compra online e quer mostrar que é de Minas Gerais e passar um pouco dessa mensagem em círculos sociais onde mora.

 

6. Pensando nessa identificação com Minas, isso é algo que se resume aos produtos da Bendizê ou o branding, a imagem da marca e o tom de voz também representam bem o estado e o jeito mineiro?

Não é só algo de produto e não é só o branding, mas algo com o que nos importamos desde o 1º dia da Bendizê e que passa por toda a comunicação. O jeito como a gente conversa no WhatsApp, no Instagram, nas legendas dos conteúdos, nos stories, a gente tem uma identidade de marca de um “mineiro moderno” e fazemos tudo para passar isso em todo o tom de comunicação.

Esse mineiro moderno tem um jeitinho mineiro, mas está ligado às tendências, à atualidade. No Instagram, nossos conteúdos passam nossa essência, nosso sotaque. Também temos o TikTok, com vídeos virais, milhões de visualizações, que trazem o jeitinho mineiro do nosso produto e conteúdos voltados para isso.

 

7. Qual é a principal dica, o ponto de partida que você pode indicar para quem pretende começar um negócio mais baseado nas próprias raízes e na cultura local?

Primeiro, identifique que sua ideia de negócio é algo que impactaria a comunidade, quem está próximo de você. Olhe em volta e pesquise para entender se o seu público tem orgulho das próprias raízes, de representá-las. Também é importante identificar se você tem algum diferencial ou se vai “ser mais do mesmo”. No nosso caso, percebemos que não havia nenhuma marca que abordasse a temática de moda com orgulho mineiro da forma como a gente propõe.

É sobre entender se existe esse mercado, se é algo que o público consome, se existe mercado para isso, se é um produto que vai vender. Existem negócios de nichos menores que dão supercerto, mas é sempre preciso pensar no mercado. Você pode ter um branding muito forte, pode ter criatividade, mas tem de ser pé no chão e saber que o que faz o negócio andar é vender.

 

A Bendizê tem loja física na Savassi, em Belo Horizonte, além da loja online que entrega em todo o Brasil. Visite o site da Bendizê para saber mais sobre a história da marca, sua proposta e, claro, comprar produtos de moda que são a cara de Minas Gerais.