Inovação feita pela cultura local e pelas pessoas – Entrevista com Kdu dos Anjos

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Criatividade, empreendedorismo, cultura e arte. O Centro Cultural Lá da Favelinha é tudo isso e um pouco mais. Localizado no Aglomerado da Serra, o maior aglomerado de Belo Horizonte, o Centro Cultural oferece, desde 2015, aulas de dança, biblioteca, oficina de rap, capoeira, aulas de inglês e diversas outras atividades para jovens da comunidade. Recentemente, o projeto se transformou também em uma grife, o Remexe Favelinha, que transforma peças usadas em outras novas, cheias de estilo, e ajuda a gerar renda  entre as costureiras da região.

Além de ganhar as passarelas da própria comunidade, com o Favelinha Fashion Week, as peças da Remexe já foram apresentadas em Londres, por meio de uma parceria entre o Sebrae e o British Council.

À frente de toda essa transformação, está Kdu dos Anjos, artista, músico e empreendedor nato. Durante a Feira do Empreendedor 2019, realizada em Belo Horizonte pelo Sebrae Minas, entre os dias 16 e 19 de outubro, conversamos com Kdu sobre empreendedorismo e sonhos. Veja a entrevista a seguir:

1- Muitos empreendedores esperam ter todos os recursos para começar seu negócio ou seu projeto. A Favelinha começou em um espaço minúsculo. Qual a importância de começar a empreender com o que se tem em mãos?

Eu sinto que tem duas frases super importantes que fizeram a Favelinha ser o que é. Uma é ‘feito é melhor que perfeito’. E a outra é ‘pegue e faça’. A gente não espera o espaço ideal, o som ideal, a tecnologia ideal, a gente se vira com o que tem na mão. E, quando não temos a tecnologia, nós inventamos. A maior tecnologia que usamos é o WhatsApp. Então é isto: não esperar a perfeição e pegar e fazer.

2 – O que faz a Favelinha ser um projeto de tanto sucesso é que a inovação se dá por meio das pessoas. Como é isso?

A Universidade muitas vezes fala sobre ‘objeto de pesquisa’. A Favelinha trabalha com ‘sujeitos de pesquisa’. Nós somos sujeitos, e nosso maior recurso são os sonhos; então estamos o tempo todo trabalhando com sonhos, com pessoas. Ao mesmo tempo em que trabalhar com pessoas é mais delicado, se você potencializa a comunidade a sonhar junto, é mais fácil.

3 – Nesse sentido, olhar para dentro da comunidade e entender o poder das pessoas e da identidade local é imprescindível, não é?

Esta palavra é muito importante: identidade. Quando descobrimos nossa identidade, que já estava ali, alinhada à visão, aos valores e aos sonhos, fica fácil porque o que queremos fazer é muito nosso, simplesmente flui.

4 – Em todos esses anos, a Favelinha tem impactado muitas vidas não só na comunidade da Serra, mas também em todo o mundo. Qual é o poder do empreendedorismo para transformar vidas?

A gente usa a ferramenta do empreendedorismo, de novo, para os sonhos. Acho que o sonho de todo pobre é ser rico. E a nossa riqueza não é só financeira; nós temos uma riqueza espiritual gigante, temos uma riqueza de recursos, de pessoas. Quando a gente sai de uma escala vertical, da coisa do patrão mandando, e passa para o horizontal, em que todos nós somos nossos patrões e nós que fazemos nosso ‘rolê’, dá certo!

O exemplo do Lá da Favelinha é impactante, não é? Se você tem interesse em criar algo parecido em sua comunidade ou cidade, saiba como cultivar o empreendedorismo social na sua cidade.

Redes sociais: O que a disputa do passinho tem a ver com empreendedorismo e modelo de negócios? Descubra nesta entrevista com Kdu dos Anjos, artista e empreendedor que está à frente do Lá da Favelinha, projeto que tem levado empreendedorismo, geração de renda, arte e cultura a um dos maiores aglomerados da América Latina.