Inspiração e empreendedorismo feminino, entrevista com Marciele Delduque, do grupo Marianas Mulheres Que Inspiram

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Mulheres empreendedoras enfrentam dificuldades específicas no mercado de trabalho. Desde a falta de apoio em casa até o preconceito e os obstáculos criados apenas em razão do gênero, as mulheres que querem entrar para o mundo dos negócios têm um longo caminho, mas o espaço para elas existe!

Para compartilhar  sua  história de sucesso  no  empreendedorismo feminino, conversamos com Marciele Delduque, fundadora do grupo Marianas Mulheres Que Inspiram. O grupo de apoio a mulheres empreendedoras mineiras tem como objetivo ajudar a alavancar negócios por meio de estratégias, palestras, workshops e dicas diárias. Confira a seguir a entrevista que realizamos com Marciele:

 

Como você se descobriu uma mulher empreendedora? O que despertou em você a vontade de empreender?

Descobri que já nasci com o DNA empreendedor, logo que precisei ter uma fonte de renda para manter os meus custos.  Eu tinha uns 15 anos, quando assumi a responsabilidade da casa, sem formação acadêmica nem idade para ser inserida no mercado de trabalho na época. Comecei a  olhar com atenção amigas que abriam pequenos comércios e que obtinham sucesso, e outras com empreendimentos que não deram certo, mas, observando todas, entendia que era algo que deveria experimentar. Pois minha vontade era fazer a diferença na vida das pessoas a partir daquela experiência que as pessoas tivessem com o meu produto e serviço.

 

De onde surgiu a ideia de criar o Marianas Mulheres que inspiram?

Depois do incidente da Vale, muitas mulheres desabafavam umas com as outras sobre o ocorrido, mulheres que perderam entes queridos, mulheres que – elas mesmas ou os maridos – perderam empregos. Assim, a rede de contatos sempre tinha alguém que ou foi afetada diretamente ou conhecia alguma mulher afetada. Nisso, as conversas surgiram em um café entre amigas e clientes do salão de beleza do qual eu era proprietária.  Por causa do sofrimento de muitas, o grupo se tornou uma oportunidade de rever amigas e, como qualquer bom mineiro, o momento do café e dedo de prosa.

Desta maneira despretensiosa, surgiu o grupo Marianas. O café rendeu, e, em pouco tempo, a varanda de minha casa, onde tudo começou, não comportava o número de mulheres que vieram. Hoje somos mais de 620 mulheres que não perderam a essência; permanecemos como aquele grupo para o qual o afago é fundamental, mas somos hoje um grupo que capacita, empodera e dá legitimidade ao protagonismo feminino.

 

Quais eram seus principais objetivos quando criou o grupo?

Ser uma aceleradora não era nem um projeto, não tínhamos essa pretensão. O objetivo era criar um espaço de fala para mulheres trocarem experiências de vida, um lugar onde elas pudessem falar sobre si mesmas, desabafar e encontrar no grupo o aconchego tão necessário em momentos difíceis. Para além do acolhimento, porém, as experiências profissionais e o empreendedorismo sempre estavam na pauta. Quando percebemos, havíamos ido mais além do que imaginávamos e vimos ali um grupo de mulheres empreendedoras que auxiliavam outras tantas que desejam empreender e fomentavam a troca de experiência nos negócios. Amadurecemos a ideia, planejamos e hoje somos mais que um grupo, somos de fato uma aceleradora de negócios.

 

Pensando no mercado de hoje, como você enxerga o cenário e as possibilidades para mulheres que querem empreender?

O mercado hoje se mostra bastante receptivo à criatividade e à inovação, neste momento em que os brasileiros e brasileiras tiveram, mais do que nunca, de recriar a forma de ganhar dinheiro; percebo que a oportunidade é grande. Mulheres donas de casa e mães têm tido muita clareza de que é possível empreender e ser protagonista mesmo em momento de crise.

 

Para quem ainda está se descobrindo uma empreendedora, o que você acredita ser característica indispensável  que as mulheres devem ter ou desenvolver para criar empreendimentos de sucesso?

‘Sensibilidade’, ‘curiosidade’ e ‘sede de aprendizado’ são expressões-chave. Você precisa sentir o mercado e seus futuros clientes, não ter medo de errar e buscar sempre o network, o conhecimento, pois empreender significa atualização constante, e quem não acompanha isso acaba ficando pelo caminho.

 

Que tipo de dica você pode dar às mulheres que querem empreender, mas ainda não sabem por onde começar?

Focar no autoconhecimento, entender sobre a própria capacidade e competência, assimilar isso com alguma necessidade de mercado, conhecer seu futuro público-alvo, praticar a empatia, pensar como cliente, se colocando no lugar dele. Acima de tudo, acredite no seu produto e em si mesma; se jogue sem medo.

 

Com base na sua experiência, conversando e capacitando mulheres empreendedoras, quais são as principais dificuldades que as mulheres encontram na hora de empreender e como superá-las?

As principais dificuldades são: o apoio dos seus pares e familiares, a falta de instituições financeiras que viabilizem linhas de crédito específico e diferenciado para o apoio à mulher empreendedora.

Vejo que a forma de superar é fazendo parte de Redes, que tragam o acolhimento e sobretudo entregue a capacitação e a orientação necessárias para iniciar a sua jornada empreendedora.

 

Hoje, depois de quatro anos de encontros, o que você mais ensinou e aprendeu com outras empreendedoras?

Acredito que  tenho construído um legado de resiliência e protagonismo, trazendo o encorajamento diário. Mesmo com medo, siga!

Quanto ao aprendizado, é uma constância diária, nossa Rede é viva e pulsante. Vejo que  elas me ensinam a ser a minha melhor versão diariamente; assim pratico a empatia e tenho a sororidade na veia, isto é, a união e a aliança entre mulheres. Assim, seguimos mais unidas em um propósito único de fortalecimento coletivo. Ou seja, ninguém solta a mão de ninguém.

 

Como você acredita que as mulheres podem se beneficiar, pessoal e profissionalmente, ao criar o próprio empreendimento?

Empreender automaticamente obriga você a buscar o seu melhor, o poder da autoanálise, de verificar o que foi feito, analisar erros e acertos e aprender com cada um deles são habilidades que você adquire fundamentais na vida pessoal e profissional Esse é o principal legado que o empreendedorismo traz.

 

Que dicas você pode dar para mulheres que ainda estão inseguras sobre empreender ou não?

Entenda seu momento, conheça melhor a si mesma e sempre pese os prós e os contras. Se após esse exercício, você ainda tem aquela chama que a leva a querer algo novo, a inquietude de querer fazer algo seu, se jogue. Não pensar em errar, e sim nas possibilidades de acerto; errar também faz parte do processo, mas não pode ser o principal sentimento.

Gostou das dicas da Marciele e quer aprender mais a respeito do empreendedorismo feminino? Conheça mais sobre o Marianas Mulheres Que Inspiram e siga o grupo no Instagram!