Reinvenção em meio à crise – conheça o case da marca de semijoias Adüla Brasil

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O que fazer quando o contato on-line não é uma alternativa, mas sim a única opção para as vendas? A receita com as vendas em shopping centers das peças da marca Adüla Brasil era bastante superior à das vendas on-line, o que levou os empreendedores Nadia e Bernardo a não voltarem seus esforços para o negócio digital. Isso até março de 2020.

Para contar um pouco mais sobre a trajetória da empresa e como a pandemia da Covid-19 mudou os rumos da marca, conversamos com Nadia Fontaine, designer e cofundadora da Adüla Brasil, e também com Bernardo Andrade, gerente administrativo da empresa.

Como a Adüla surgiu e como eram as operações até março de 2020, antes da pandemia do novo coronavírus?

Nadia: Quando morávamos na Austrália (Nádia e seu sócio e companheiro, Bernardo), tentamos empreender por lá. Eu fazia cursos de Ourivesaria, mas não conseguimos abrir um negócio no país. Decidimos, então, fazer uma viagem de seis meses pela América Latina, sempre em busca de produtos e oportunidades de negócios, com a intenção de levar para a Austrália. Paramos por um tempo no Brasil, e, nessa oportunidade, o Bernardo abriu um negócio de snacks saudáveis e eu abri a Adüla.

Investi R$ 3 mil na primeira coleção que fiz e começamos a vender em feiras em Belo Horizonte. Enquanto isso, criamos um site bem simples em uma plataforma de e-commerce, além da conta no Instagram, com o intuito de vender on-line. Nessa época, tinha poucos seguidores e mandei produtos para influenciadores. Assim, começamos a aumentar o número de seguidores e a vender. Nesse meio tempo, fiz um curso na Escola Mineira de Joalheria, mas no início era tudo uma brincadeira, uma forma de não ficar parada durante nossa estadia no Brasil.

Em seguida, participamos de um evento que nos deu coragem para tentar entrar em shopping centers aqui em BH. Montamos um quiosque simples, itinerante, em um shopping, em um ponto sem eletricidade, só com uma estrutura de madeira e algumas caixinhas de vidro. Vendemos durante o período de Black Friday e o Natal de 2018 e foi um sucesso! Fomos contactados por outro shopping para montar um quiosque lá e, assim, começamos em maio de 2019.

Como a empresa cresceu?

Nadia: Para ser honesta, não ganhávamos nada com as vendas no período de feira e de vendas pelo site. Começamos a ganhar dinheiro depois que passamos a vender nos shoppings. Nunca tínhamos tido tanto fluxo de clientes; aumentamos nossa clientela, e a Adüla estava crescendo, o que nos levou a planejar até abrir uma loja-conceito na Bahia, além de ter visitado shoppings em Brasília.

Bernardo: Quando a empresa começou a crescer, procuramos o Sebrae.

Nadia:  Inicialmente, estávamos tentando uma consultoria de RH com o Sebrae e conseguimos o contato de uma consultoria de Marketing, que nos deu o maior suporte. Isso nos ajudou a entrar no programa de varejo de moda aqui em BH. E o consultor do Sebrae insistia muito para que investíssemos mais no on-line,  que mudássemos de plataforma e, em consequência, que contratássemos uma pessoa para cuidar disso.

Bernardo: Os consultores do Sebrae também nos deram suporte de vendas, e as vendedoras das lojas faziam vendas pelo WhatsApp.

Nadia: Mudamos de plataforma, contratamos uma pessoa para nos ajudar com o digital, o que nos dava suporte nas vendas do quiosque. Contudo, não estávamos vendendo muito bem on-line, quando comparamos com as vendas nos pontos físicos. Mas aí a Covid-19 chegou.

E , então, o on-line se tornou necessário…

Bernardo: Sim. Ainda bem que estávamos preparados, com uma nova estrutura que tínhamos acabado de montar.

Nadia: Sim, em 2020 o novo coronavírus chegou. Recolhemos todos os nossos estoques, assim que anunciaram que os shoppings iam fechar. Limpamos as vitrines e, desde o primeiro dia da crise, estamos usando um quarto em nosso apartamento para trabalhar. Montamos grupos de WhatsApp com nossos clientes dos quiosques, fizemos vídeo de Dia das Mães e começamos a fazer campanhas no Facebook para alcançar pessoas fora de BH.

Nossa estratégia foi tentar atingir cidades com capital no Brasil, já que vendíamos muito pouco on-line. Escolhemos Brasília e São Paulo e direcionamos nossas campanhas para bairros de maior poder aquisitivo. E bombou! Atualmente, estamos vendendo metade do que já vendíamos nos shoppings. Para uma empresa que não vendia nada on-line, isso é muito.

Qual é a estrutura de vendas on-line da Adüla hoje?

Nadia: Tivemos um progresso muito grande na organização da nossa estrutura on-line. No início da pandemia, nossas vendas pelo site eram separadas das nossas vendas pelo WhatsApp. Nem todos os nossos produtos estavam cadastrados no site, visto que não tínhamos tempo de tirar fotos ou criar as descrições para ‘subir’ no site.

Bernardo: Hoje também temos blog e uma conta no Pinterest.

Nadia: Além disso, nosso trabalho antes era muito operacional. Fomos nos organizando e agora quase tudo está cadastrado no site, o que fez nosso trabalho operacional diminuir bastante.

Como está a receita da Adüla durante a pandemia e qual é a estratégia para o futuro do negócio?

Nadia: A receita caiu sem as vendas nos shoppings. Mas, como falamos, já estamos vendendo 50% das vendas do shopping no on-line, e isso com apenas três pessoas trabalhando – antes tínhamos seis pessoas.

Bernardo: É importante lembrar que estamos falando de dois negócios, não é? Na Adüla on-line, nossa receita cresceu absurdamente.

Nadia: Agora, estamos nos organizando para separar as duas empresas, com estoques distintos para lojas físicas e vendas on-line. Não sabemos ainda se vamos continuar em shoppings ou investir só no on-line, porque estamos em São Paulo e em Brasília. Temos, porém, o Brasil todo para explorar ainda. Implantamos sistemas automatizados para a emissão de nota fiscal, para os caixas, a fim de nos prepararmos para essa expansão via internet.

Gostou de conhecer o case da Adüla? Confira também como o comportamento do consumidor tem mudado durante a pandemia.