2020, o Ano da Inovação na prática – entrevista com Paulo Renato Cabral

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Nunca se falou tanto em Inovação. E ela não precisa ter só uma base tecnológica, partir de grandes investimentos ou mudanças. Inovar é fazer diferente e melhor, seja como for. Trabalhar a sua inserção digital e caminhar rumo à transformação digital, aprender novos modelos de negócio, abrir-se para o mundo e ver sua empresa com outros olhos. Todos esses são grandes passos que o pequeno empreendedor pode fazer desde já.

 

Para ajudar você a trilhar esse caminho, conversamos sobre Inovação para Pequenos Empreendedores com o gerente de Inovação do Sebrae Nacional, Paulo Renato Cabral. Confira a entrevista a seguir

 1 – Estamos passando por um ano muito desafiador, de escassez em vários sentidos, além de privações. O que este ano nos diz sobre a essência da Inovação?

Imagina se, alguns anos atrás, alguém não tivesse criado o vídeo ou a teleconferência. Durante a pandemia, só conseguimos trabalhar de forma remota por conta delas – e foi isso que segurou um pouco a economia e a vida das pessoas e ajudou até nas questões de saúde, já que as pessoas estão fazendo consultas on-line. Se anteriormente alguém não tivesse tido a ideia de transmitir voz em fibra ótica e de criar um sistema de videoconferência e inovar, não estaríamos aqui hoje. A crise e a pandemia nos mostraram que, sem Inovação, nós não sobrevivemos, literalmente.

No campo da Saúde, por exemplo, temos o exemplo dos respiradores. Nós tínhamos um mercado restrito para esse tipo de equipamento, extremamente inovador, tecnológico, fabricado por uma ou duas empresas, no máximo, no mundo. Por isso, no momento em que há uma demanda absurda, não é possível atendê-la. Aí vem todo o conceito de Inovação aberta, dos laboratórios abertos, dos grupos de desenvolvimento tecnológico, que começam a produzir outros tipos de respirador, fomentando o mercado e dando oportunidade para a fabricação de equipamentos a fim de salvar vidas. Sem a Inovação, não conseguiríamos passar por esta fase que estamos passando.

O insumo da Inovação é a pesquisa e a criatividade. A vacina também só é possível porque existe mais de uma dezena de conhecimentos acumulados que estão nos fazendo chegar a ela

Do ponto de vista social, a Inovação é fundamental também. Vemos pessoas fazendo terapia pela internet, por exemplo. E, do ponto de vista dos negócios, estão sobrevivendo aqueles que conseguiram migrar para uma estratégia on-line ou híbrida.

2 – Transformação é um caminho sem volta mesmo para as pequenas empresas? Como fazê-la de maneira consciente, rápida e eficaz?

Costumo falar que existe um passo anterior à transformação digital para as pequenas empresas, que é a inserção digital. Não há como as empresas estarem fora de uma primeira camada de comunicação na internet. Se quero ir em um estabelecimento, eu devo, no mínimo, digitar no buscador do meu celular e conseguir encontrar o endereço. Se não se apresentar minimamente com seu endereço, esse estabelecimento não será encontrado e ficará sempre com os clientes tradicionais.

Esse é o mínimo que as empresas já deveriam estar fazendo. Tal inserção é fundamental porque o consumidor se tornou digital. O cliente tem um celular, tem um computador em casa e usa tudo isso como ferramenta. Se o seu cliente é digital, não significa que você tenha de ser 100% digital, mas que deva encontrar mecanismos de conversar com ele, de acessá-lo.

Quando você me pergunta se todas as empresas terão de passar pela transformação digital, eu digo que todas terão, em um primeiro momento, de colocar em prática essa inserção digital. Aí, em um segundo momento, elas podem subir em um gradiente de transformação: sendo conhecidas na internet;  implementando ferramentas digitais gratuitas e conhecidas, como Instagram, WhatsApp Business, Facebook; depois criando um site de divulgação. E, se esse site virar um comércio eletrônico, e depois estiver em um Marketplace, aí é nota mil.  Então, eu vejo essa transformação como um gradiente. É possível começar de forma muito simples, posicionando-se enquanto marca na internet.

3 – O ano também tem sido muito importante para apontar novas tendências. Quais são algumas delas que você vê surgindo em relação ao mundo dos negócios?

Existe uma tendência de consumo emergencial, que é toda a parte de segurança, máscaras, materiais, EPIs e equipamentos de limpeza. A demanda por esses produtos cresceu exponencialmente e há tendência de aumentar ainda mais. Daqui para a frente, todo mundo vai se preocupar mais com a limpeza e a higienização dos estabelecimentos.

Também há a predisposição ao consumo on-line. Milhões de novos consumidores começaram a comprar pela internet com a pandemia. Há ainda algumas coisas curiosas: o consumo de bebida alcoólica aumentou muito. Itens de entretenimento também têm sido mais buscados. Educação remota, serviços de saúde remotos, transporte especial de pessoas idosas para atendimento médico, pet shops e mercado pet também são outros itens que devem crescer bastante.

 4 – Quais áreas ou temas o pequeno e o médio empreendedor devem dominar se quiserem seguir inovando nos próximos anos?

Primeiro, é importante deixar claro que Inovação é para todo mundo. Uma coisa é a Inovação Tecnológica. Outra coisa é a Inovação em Gestão, em Modelos de Negócios e Inovação de Mercado. Primeiramente, indico aos empreendedores estudar essas inovações e os Modelos de Negócio, ou seja, entender como as pequenas empresas de seu setor se reinventaram durante esta crise.

Também é importante participar de grupos de discussão, de programas do Sebrae em que falamos de venda pela internet, transformação digital, inovação, dentre outros assuntos.

Existe um número grande de artigos no site do Sebrae que podem levá-los a posteriormente optar por fazer uma trilha como o Sebraetec. O essencial é se atualizar e ler mais sobre os novos Modelos de Negócio.

5 – Quais são outros benefícios da Inovação para além do aumento das vendas?

A Inovação pode ser muito utilizada para o aumento da eficiência e da produtividade. Um exemplo: imagine que eu tenha uma pequena fábrica de sapatos. Às vezes, a maneira como as linhas de produção estão estabelecidas na fábrica ou a altura das mesas em que os funcionários montam os sapatos não estão adequadas. Se eu mudar a altura das mesas ou a iluminação, criando layouts inovadores dentro da empresa, consigo ter um ganho de produtividade. Assim, é possível produzir mais, com o mesmo tanto, mas de forma mais barata.

A Inovação serve para que eu aumente minhas vendas – seja criando um canal novo na internet, seja por meio de Modelos de Negócio inovadores – ou me ajuda a reduzir custos, diminuindo o investimento em um determinado insumo, aumentando a eficiência e a produtividade.

6 – Como identificar esses pontos de Inovação não necessariamente ligados ao produto ou ao serviço?

Os empreendedores precisam “sair da caixa”. A gente fica muito tempo dentro da empresa e não vê como é possível melhorar os negócios. Toda empresa é passível de melhoria.

Precisamos sair um pouco, convidar consultores, fazer workshops dirigidos aos funcionários, perguntar a eles o que acham que pode mudar ou inovar, anotar ideias, selecionar as melhores e implementá-las. É necessário ver com outros olhos para perceber essas possibilidades, ou seja, sair um pouco da operação.

Gostou da entrevista com o Paulo? Como ele mesmo disse, uma das formas de aprender mais de Inovação é “saindo da caixa”, participando de eventos e vendo a sua empresa com outros olhos. Sabe uma oportunidade imperdível para isso? O Mês de Inovação do Sebrae. Confira a programação totalmente gratuita e participe!