Inovação e Diferenciação na pandemia: a história do Dorsé – entrevista com Elmo Barra

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Em 2015, depois de um ano de preparação, Elmo Barra trocou a carreira na área comercial pela ‘aventura’, como ele mesmo chama, de empreender no ramo da Gastronomia. Junto dos sócios, Gustavo Castro e Ellen Nascimento, esta última participando como sócia-investidora, ele criou o gastrobar Dorsé, no bairro Floresta, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

O estabelecimento fica na Rua Sapucaí, já tradicional na capital mineira por unir vários bares e restaurantes e ter um pôr do sol impressionante. Mas como se destacar em meio a tanta concorrência? E quando veio a pandemia, quais foram as estratégias?

 

Acompanhe a seguir a entrevista com Elmo, na qual abordamos esses e outros assuntos. Aprendemos muito com a experiência do empreendedor, que, como ele diz, adquiriu seus conhecimentos no dia a dia do negócio.

Como foi a experiência de trocar a carreira na área comercial para se tornar empreendedor?

Foi uma aventura. É aquele sonho de ter liberdade, de se programar e, em um fim de semana, poder viajar, sem ter de tirar férias, aquela coisa. Foi superdesafiador porque é um tiro no escuro. Ficamos mais de um ano planejando o negócio, e isso foi um dos fatores que ajudaram a dar certo. 

No início, como a gente não sabia nada do que poderia acontecer, foi uma grande apreensão, por não termos experiência. Você abrir um negócio sem experiência é muito difícil, mas a maioria das pessoas que age assim não tem mesmo. Você aprende ali no dia a dia. Então, foi bem desafiador, mas, ao mesmo tempo, gostoso; deu aquele frio na barriga. Aí, quando começou, a gente conseguiu pagar as primeiras contas, foi andando aos poucos, foi ficando mais tranquilo. Mas não é fácil; tem de ter garra e disciplina, principalmente, e aprender a gerir pessoas, o que eu acho que é um dos maiores desafios. 

 

Com relação à concorrência, como vocês lidaram com o fato de abrir um negócio em uma capital onde há muitos bares e restaurantes?

Abrimos em 2015, quando ainda não havia muito a vertente de gastrobar. Já existiam algumas casas, mas não eram muitas, como é hoje. A diferença foi essa, criar um bar no qual o conceito é oferecer comida elaborada com preço justo. 

O diferencial é o atendimento, ou seja, fazer o cliente dar um sorriso quando chega e quando vai embora. O cliente fica horas dentro do estabelecimento, e a experiência depende de todo mundo, da equipe toda. É tentar ser o melhor sempre.

 

Quais são as dificuldades que vocês têm enfrentado na pandemia, no dia a dia?

Primeiro o fechamento. Quando fechamos, ficamos perdidos, como todo mundo. Mas a gente foi investir no delivery, já que era a única alternativa. Só que, ao mesmo tempo, a cidade inteira estava fazendo delivery. Então, você tinha que ser diferente também no delivery. 

Por isso, baixamos o preço, elaboramos pratos mais populares, com preço mais atrativo. Utilizamos as plataformas de entrega, mas os apps cobram um percentual muito alto, considerando que insumo, embalagem, tudo é nosso. Eles só entram com a divulgação. 

Era um mal necessário, mas fizemos também com entrega própria, em uma região reduzida, apenas no horário de almoço. 

Além disso, escolhemos a melhor embalagem. Todos os componentes vão separados, mesmo se virar de ponta-cabeça, nada mistura. Por mais que o cliente não esteja sentado na mesa, a cara do prato tem de ser bonita quando chegar a sua casa. Mas tivemos que investir porque a embalagem é mais cara e contamos  apenas com um fornecedor.

 

Como vocês têm inovado no dia a dia, além da questão da embalagem diferenciada?

Acredito que, nos próprios pratos que nós elaboramos para a entrega, foram cinco no total. Normalmente, são grelhados com cortes um pouco mais caros, então fica complicado para vender por app. Com muita concorrência, é mais difícil, muita gente olha preço. Procura por qualidade também, mas a maioria olha preço, principalmente quem ainda não nos conhece. No delivery, boa parte não conhece porque abrange uma área maior do que estávamos acostumados, e elaborar esses pratos ajudou bastante. A inovação diária é ter qualidade, e o prato não sai da casa se não estiver em conformidade. É a nossa busca diária.

 

E vocês já chegaram a reabrir?

Reabrimos com as restrições. Passamos a usar o parklet operacional porque a Prefeitura liberou esses espaços, além da calçada e da rua [um decreto da Prefeitura da cidade permitiu temporariamente o uso de parklets, calçadas e ruas para a disposição de mesas em razão da pandemia em 2020]. Colocamos lâmpadas, mesas bonitas e uma boa decoração, com o espaçamento necessário. Investimos para que o ambiente ficasse o mais agradável possível. 

 

Quais são as Estratégias de Divulgação do Negócio que vocês estão usando e quais recomenda?

Utilizamos apenas redes sociais. Além do Dorsé em si, existe a mídia espontânea. Não temos como investir mais pesado ainda. Contamos com uma parceira que nos ajuda nesse sentido, mas não é tão profissional quanto seria uma empresa de redes sociais.

Temos um bom relacionamento com os blogueiros e influenciadores também. Logo no início, o envio de recebidos foi muito forte, fizemos uma pesquisa e vimos pessoas que tinham certo conhecimento, que já tinham visitado a casa. O próprio cliente às vezes vê um prato bonito, tira foto, e a coisa acontece pela internet.

 

No contexto da pandemia, quais parcerias foram fundamentais?

A do fornecedor. Porque hoje, para você conseguir qualidade e preço bom,  é difícil. Sempre foi caro, mas agora está mais. Manter um bom relacionamento com os fornecedores, que são parceiros que entendem o nosso lado, que ajudam a gente nas promoções. 

 

Você tem outras dicas para outros empreendedores de como enfrentar a pandemia?

Uma das questões sobre as quais eu mais falo é relativa à Gestão de Pessoas. É o mais difícil para quem tem um negócio, independentemente de pandemia. Quanto mais funcionários você tem, mais difícil é. Cada um tem uma cabeça, uma vida, uma família diferente. Fazer com que todo mundo trabalhe em equipe, vista a camisa, tenha comprometimento, um sorriso no rosto é trabalhoso. Manter essa harmonia é complicado, pois, com a pandemia, o rendimento de todo mundo caiu. O restaurante vive também da caixinha; dessa forma, manter o pessoal motivado mesmo assim não é fácil. Temos uma gestão bem horizontal, bem próxima do funcionário; a gente pega e faz junto também. Se precisar eu lavo banheiro, eu vou para a cozinha, eu vou desentupir o ralo. Estar junto é primordial no nosso negócio e é uma luta diária.

 

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