Descubra como 4 empresas se reinventaram durante a Covid-19

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Segundo uma pesquisa realizada pelo Sebrae, até o final de março deste ano, 89% dos pequenos empresários brasileiros haviam registrado queda no faturamento em razão dos impactos da pandemia do novo coronavírus – COVID-19. Dentre os mais afetados, estão os do setor do Turismo (88% de variação no faturamento), de Eventos e Produções Artísticas (86%). Seguidos pelos de Moda, Artesanato, Beleza, Academias, Serviços Educacionais e de Alimentação.

Para manter a saúde financeira do negócio em dia, a orientação do Sebrae é negociar despesas e prazos, renegociar com parceiros e fornecedores e também reavaliar as possibilidades no que diz respeito às relações trabalhistas – tendo em vista a flexibilização autorizada pelo governo. Para ir além, é preciso ter, afora a resiliência, estratégia, reinvenção e ação. E tudo isso pode ser mais simples do que você imagina. Visando informar como a inovação tem ocorrido na prática, no post contamos a história de quatro empresas que se reinventaram durante a pandemia da COVID-19. Veja a seguir.

Lu Estética – Paracatu (MG)

Atuando há 32 anos no ramo de Beleza e Estética em Paracatu, cidade do Noroeste de Minas Gerais, Luciene Martins é dessas empreendedoras que se mantêm em constante movimento, inovando em seu negócio. Sua clínica, a primeira registrada na cidade, oferece serviços como depilação, design de sobrancelha, massagens com fins estéticos e fisioterápicos, podologia, tratamentos faciais, dentre outros. Muitas das sementes que ela havia plantado nos últimos anos deram frutos exatamente agora, durante a pandemia. Isso porque Luciene já estava investindo havia anos em cursos de aperfeiçoamento na área de Marketing Digital e na oferta de cursos on-line.

Com isso, assim que fechou temporariamente as portas, a clínica se voltou aos cursos on-line com mais força. Alguns têm alunos de todos os estados do Brasil e até internacionais – e às consultorias pelas redes sociais.

A esteticista também relata que ela e outras profissionais da área, na cidade, pediram ajuda ao Sebrae a fim de que elaborasse uma estratégia que as ajudasse a atravessar a crise. “Conseguimos criar uma comissão para representar a classe na Associação Comercial de Paracatu. Estamos também criando um treinamento on-line para capacitar e ajudar as esteticistas informais da cidade, ensinando precificação, importância de terem registros, de participarem de treinamentos e cursos. Creio que ajudando a todas poderemos dar a volta por cima e, quando a crise passar, estaremos mais fortes e unidas”, destaca.

Assim que a pandemia for superada, Luciene pretende focar mais ainda seus esforços na função de gestora e de professora, aproveitando a rede de contatos que vem tecendo durante o período atual.

Bar dos Amigos – Montes Claros (MG)

O que fazer quando a essência do seu negócio é a aglomeração de pessoas e o entretenimento? Proprietário do Bar dos Amigos, em Montes Claros, Thiago Meira se viu diante dessa dúvida. O local é um dos mais tradicionais e frequentados na cidade, chegando a ter cerca de 600 pessoas aos sábados. A combinação de música ao vivo e comida de boteco atraia o público jovem e fez do Bar dos Amigos o point da cidade para happy hours, comemorações de datas especiais e reuniões.

Buscando driblar a crise, Thiago apostou em algo que já vinha implantando desde o final do ano passado: levar o boteco até a casa das pessoas por meio do delivery. A ideia por si só já era inovadora na região, onde as entregas estavam mais restritas aos restaurantes ou, no máximo, às casas de sanduíches. “A ideia veio de observar o mercado e perceber que havia essa demanda. Ninguém oferecia o serviço de boteco em casa”, conta Thiago.

Além dos pratos, ele garante as bebidas geladas e passou a oferecer também um pacote de happy hour para empresas e grupos de amigos. Todos recebem os pratos em casa e fazem a confraternização on-line. A empresa passou a oferecer também delivery de almoço durante a semana e aos domingos, dias que vêm registrando a maior receita da casa. “Estamos fornecendo almoço para quem está trabalhando nas empresas ou em home office. Foi uma estratégia que deu certo, pois conseguimos remanejar o quadro de funcionários para o horário da manhã e, assim, manter os empregos”, ressalta Thiago.

Uma das maiores aliadas do Bar dos Amigos foi a estratégia de divulgação em redes sociais e do trabalho com influenciadores locais, atitude até intensificada durante a pandemia para divulgar os novos serviços. Embora sua receita tenha caído, Thiago conta que descobriu novas possibilidades de atuação. Garante que vai manter os almoços de domingo e as experiências do bar em casa como parte importante da receita do estabelecimento após a pandemia.

Homeshock – Belo Horizonte (MG)

Alexandre Duarte trabalha há 23 anos com segurança eletrônica à frente da empresa Homeshock, com a instalação de alarmes e redes de segurança em residências, condomínios e empresas. O impacto inicial da pandemia em seu negócio foi mais evidente na inadimplência dos clientes. Isso se deu principalmente nos estabelecimentos comerciais, que começaram a ter dificuldades de arcar com seus compromissos enquanto as portas estavam fechadas.

Por outro lado, com muitas pessoas indo para as casas de fim de semana ou para fazendas e sítios, a procura por segurança em residências na cidade registrou aumento. Principalmente com a maior incidência de arrombamentos, situação registrada em Belo Horizonte. As lojas e os bares também passaram a estender o período de vigília em seus estabelecimentos. De 15 horas em média, agora a segurança passou a ser feita durante 24 horas por dia. Com isso, apesar dos desafios, a receita da Homeshock aumentou durante a pandemia.

Por esse motivo, o quadro de funcionários, 38 no total, não foi reduzido. A estratégia foi criar uma escala de revezamento para o time que trabalha diretamente com monitoramento – que tem de ser feito, inevitavelmente, da sede da empresa – e pedir que todos os demais (30% do pessoal) fizessem home office. Os impactos disso na produtividade? “Eu monitoro constantemente a performance da equipe e vi que os funcionários passaram a bater as metas e a extrapolá-las trabalhando de casa”, conta Alexandre. O modelo de trabalho, garante ele, será mantido mesmo depois da pandemia.

O atendimento da empresa também mudou. Antes, ele era feito totalmente por telefone. Agora, o chatbot do WhatsApp foi integrado ao site. “Está funcionando bem e veio para ficar”, diz Alexandre. Além de tudo isso, a Homeshock passou a acelerar o processo de compra e venda de equipamentos de controle de acesso por reconhecimento facial. Tecnologia que já existia, mas agora vem se mostrando essencial. “O equipamento mede inclusive a temperatura da pessoa e emite um alerta caso ela esteja alterada”, explica ele.

Restaurante Metrópole – Belo Horizonte (MG)

Dentre as empresas que se reinventaram durante a pandemia da COVID-19, está o Restaurante Metrópole. Há 5 anos, serve comida contemporânea à la carte em Belo Horizonte, com um ticket médio de 35 a 70 reais por pessoa e uma média de 40 a 50 pratos por dia. Por se tratar de um restaurante de gastronomia mais refinada, o estabelecimento fazia algumas entregas por delivery, mas esse não era o foco do negócio.

Desde que o restaurante interrompeu as atividades presenciais, atendendo às orientações para que todos os estabelecimentos fechassem as portas, a dona do Metrópole, Fernanda Silveira Costa, foi para a linha de frente e assumiu, sozinha, a cozinha para as entregas por delivery. No entanto, sua receita caiu vertiginosamente. Fernanda percebeu, porém, que as vendas de bolos e doces registraram um pequeno aumento, fato que ela atribui à necessidade que as pessoas vêm sentindo de comer alimentos feitos com afeto, com história.

Muitas das receitas vieram de sua avó, o que ela faz questão de comunicar aos clientes com um carimbo escrito “Receita de Vó”. Essas guloseimas ganharam ainda mais o gosto dos clientes durante o período de distanciamento social, e Fernanda decidiu, então, voltar-se para a sua grande paixão, a confeitaria. “Minha especialidade é confeitaria, mas, como eu sou a chef e estou à frente do restaurante, não conseguia me dedicar a isso, já que cuidava de todo o processo de criação dos pratos”, conta.

Ela ainda não sabe por quanto tempo continuará a fazer o delivery dos antigos pratos, mas o plano é que, assim que a pandemia passar, ela reestruture todo o seu negócio para a fabricação e venda dos novos produtos. Embora a confeitaria já estivesse nos seus planos, Fernanda confessa que não teria feito essa guinada nos negócios se não fosse a pandemia. “O momento faz a gente pensar. Todo mundo ficou um pouco mais carente, eu procurei as minhas receitas de infância, com memórias afetivas, e vi que deu certo”, explica ela, que também vem  trabalhando apenas com produtores locais e alimentos orgânicos, sempre que possível, para agregar ainda mais valor ao que oferece.

Gostou de conhecer as histórias de empresas que se reinventaram durante a pandemia da COVID-19? Como tem sido isso para o seu negócio? Descubra, nesta entrevista, como inovar neste período com a gerente de Inovação do Sebrae, Lina Volpini.