Turismo e Gastronomia em Belo Horizonte – Entrevista com Aluizer Malab

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De que maneira Belo Horizonte, em Minas Gerais, pode utilizar a Gastronomia como um ativo para o turismo e para a economia? Conversamos com Aluizer Malab, gestor cultural e fundador da empresa Malab Produções, referência em produções artísticas e culturais inovadoras com conexão em todos os continentes. 

Malab também foi presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur, entre 2017 e 2018) e Secretário Nacional do Ministério do Turismo brasileiro em 2019, sendo representante do Comitê Gestor Pró-Brumadinho.

Ele nos contou como vê a Gastronomia e outros elementos da cultura belo-horizontina favorecendo o turismo da cidade. Passou também algumas dicas de como negócios podem inovar e se destacar, especialmente no cenário da pandemia.

Vamos viajar um pouco pelas delícias que BH nos apresenta?

Como a cultura belo-horizontina contribui para o fomento do turismo na capital?

Um dos maiores ativos da capital mineira está na sua cultura. Para nós, a cultura é muito importante, em todas as suas vertentes. Belo Horizonte tem uma tradição – de artes plásticas, artes visuais, teatro, teatro de bonecos, dança. Em especial, a cultura tem um valor enorme, pois cada vez mais as pessoas buscam em cada local o que ele tem de melhor. Para ter uma ideia da importância cultural em relação ao turismo dos lugares, é só a gente pensar o que significa uma faixa de pedestre em Londres [que lembra a famosa foto dos Beatles]. A música Despacito, por exemplo, dobrou a quantidade de turistas de Porto Rico, simplesmente por conta do megassucesso mundial. Por isso, a cultura é muito importante para o turismo.

Com relação à Gastronomia, como você acha que ela se relaciona com o turismo?

A Gastronomia está dentro desse combo cultural. No Brasil, a gente tem uma cultura rica, especialmente em Minas Gerais. BH, apesar de ser uma capital nova, ainda adolescente, pelo fato de ser capital mineira, a gente tem essa herança de toda essa riqueza do estado, dos ingredientes, dos insumos. Acredito também que essa releitura, até a ‘gourmetização’ mais recente da Gastronomia tem enriquecido e tem dado um destaque mais forte na exploração desse nosso ativo. Veja que temos as nossas cachaças, nossos cafés, nossos queijos, nossos vinhos, nossas especiarias. Isso é importante tanto do ponto de vista de ter algo a mais para oferecer aos turistas quanto para atrair quem procura lugares por causa disso. Temos essa força e estamos bem posicionados nessa questão.

O maior festival gastronômico brasileiro é nosso [Fartura Brasil]. BH é um hub de Minas Gerais, e vejo como um local interessante porque você pode vir para cá e estar também perto do Festival Gastronômico de Tiradentes, ou do de Itabirito, com a Festa do Pastel de Angu. Obtivemos, recentemente, o título de Cidade Criativa da UNESCO pela Gastronomia, com o qual apenas   três cidades do Brasil foram agraciadas, e BH é uma delas.

 

Você tem dicas para quem deseja investir em Gastronomia em Belo Horizonte?

Quando a gente tem um ativo tão forte, é sempre uma opção interessante para investir. Depende muito do que cada pessoa pretende, já que há muitas opções. Se você vai manufaturar, se vai vender cru ou cozido. Na parte do “cru”, tem muitas opções contemporâneas, podendo ir desde o plantio, por exemplo. Acredito muito que, em médio e longo prazos, haverá um crescimento na produção, que seja nas fazendas urbanas e verticais, isto é, uma nova forma de pensar a logística dos alimentos. Como também existem opções da parte do “cozido”, dos restaurantes, com releituras inovadoras dos nossos pratos.

Tem muita coisa para a gente ainda utilizar, como mixar a culinária de outros lugares com a daqui. A Inovação como um diferencial pode ser um bom atrativo. Especialmente nessa questão da culinária, quando você quer fazer alguma coisa, o ideal mesmo é ter um diferencial, algo que você sinta que vale a pena se dedicar. Isso acaba sendo mais interessante do que o mais do mesmo. 

 

Como os negócios podem contribuir entre si para ampliar o turismo gastronômico aqui em BH?

BH, que tem sua restrição do ponto de vista industrial, é uma cidade que vive basicamente de serviços e dos tributos, como IPTU e INSS. Porém, como a gente tem uma questão territorial já ocupada, a melhor coisa a fazer é observar as vocações. Toda cidade tem sua vocação. A Gastronomia tem o potencial de melhorar a condição de vida local, a relação entre a cidade e os cidadãos. Temos essa vocação do ponto de vista gastronômico e devemos investir pesado nisso; acho que até o poder público, mas não só, também a iniciativa público-privada, com a sociedade. Isso pode se tornar um grande projeto de modernização, de pensar a cidade. E já existe uma tendência espontânea. Eu acho que isso não tem volta.

Acredito que, em um espaço curto de tempo, a gente vá começar a colher frutos desse investimento e, mais do que isso, a desenvolver mais a economia. Por exemplo, contamos com uma parcela muito grande da sociedade que vive em aglomerados na favela. E até isso pode nos trazer um lado de desenvolvimento de opção turística, de mostrar o olhar daquele lugar, mostrar a cidade como ela é. Esse tipo de relação com a sociedade, de pensar a cidade para além do asfalto, creio que é um dos maiores potenciais hoje em dia. A gente tem a possibilidade de um desenvolvimento da Gastronomia como um todo, não só para poucos. Temos como proporcionar, difundir, provocar, fazer investimentos nesse sentido, para todos. 

 

Qual será o cenário pós pandemia em relação aos negócios? Como podem se manter relevantes?

A questão dos clientes poderem visualizar a cozinha, o treinamento, o atendimento, a higienização do ambiente. Eu acho que, de forma geral, o cliente será mais exigente e preocupado nesse sentido. Oferecer um cardápio com bons atrativos e opções que encorajem as pessoas a sair de casa. Essa questão da higienização vai contar muito, bem como a melhoria dos serviços. 

Eu ouvi uma observação um dia de um chef renomado e foi algo que traz um novo olhar. Esse chef tem um restaurante, mais caro, conceituado, e ele disse que, daqui por diante, nesta crise mundial que vivemos, ele quer investir mais seu talento numa culinária mais acessível. Ele se sentiu mal dedicando seus esforços para poucos. A pandemia mexe com valores também, assim como aqueles que não tinham espaço em casa e se viram confinados e agora querem se mudar para ter mais área, porque passaram a sentir uma necessidade de uma convivência mais voltada à questão íntima da casa. Eu acho que o empreendedor da Gastronomia também vai ter essa mudança de valores por sobrevivência, por opção, ou por outras questões. 

Outro ponto é que a escolha dos ingredientes vai dizer muito sobre o preço final. Aí eu acho que somos capazes de fazer coisas maravilhosas a custo mais baixo. Não que haja substituição, mas acredito que a pandemia vá ter impacto grande numa série de questões nesse sentido, até mesmo para sobreviver e se manter de pé. 

 

Saiba mais da Malab Produções.

Para continuar a ampliar seu conhecimento sobre diferenciais que seu negócio pode ter, acompanhe também a entrevista com o publicitário e empreendedor Guilherme Araújo, sobre Planejamento.

 

Esta entrevista foi editada e condensada para melhor compreensão.