Economia Circular: o que é e quais mudanças propõe ao Empreendedorismo

Compartilhe este conteúdo:

Seremos mais de 10 bilhões de pessoas no mundo daqui a 100 anos, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Se hoje, com quase 8 bilhões de habitantes no planeta Terra, atingimos índices insustentáveis de consumo e de produção de lixo, o que esperar de um futuro emergente? A Economia Circular surge como uma resposta inovadora a problemas não tão novos assim.

Você sabe o que é esse novo modelo de consumo e produção? E quais mudanças a Economia Circular propõe no nosso estilo de vida? Aprofundaremos sobre o tema neste post. Siga a leitura!

O que é a Economia Circular?

O ano de 2020 trouxe exigências. Todo o mundo, literalmente, teve de parar. A crise deixou evidente a necessidade de privilegiar as relações locais de consumo em detrimento do global, do desenfreado e das grandes distâncias.

Na prática, algumas pessoas passaram a comprar de pequenos produtores e empreendedores, a apoiar negócios locais, de modo a manter o dinheiro circulando na região. Essa atitude ilustra bem a proposta da Economia Circular.

A Economia Circular é um conceito que faz referência à inteligência da natureza, onde não há uma estrutura linear a determinar o ciclo de um recurso —  nascimento, crescimento e morte (descarte) —, mas, sim, o reaproveitamento natural desse material para um novo propósito. Por exemplo, no meio ambiente, os frutos estragam e não são jogados fora. Servem de adubo ao solo.

Então, ao migrar o conceito para a lógica mercadológica, trata-se de um modo de produção e consumo baseado no uso inteligente dos recursos, na valorização do pequeno e do local, como forma de tornar mais sustentável a relação entre o mundo dos negócios e o planeta.

Economia Circular: quais mudanças ela propõe

Consumimos desenfreadamente, transitamos entre continentes, países, estados a todo tempo; e produzimos lixo. Muito lixo. No Brasil, por exemplo, são mais de 11 milhões de toneladas de materiais descartados. Pouco menos de 2% é reciclado. Em meio a esse cenário de globalização e consumo desenfreado, a pandemia exigiu uma parada e uma mudança no estilo de vida.

A onda de contágio do novo coronavírus deve ir embora em poucos meses; a crise climática, contudo, ficará ainda mais evidente, caso não haja uma transformação na lógica produtiva. Diante disso, a proposta da Economia Circular surge como uma resposta inovadora para o pontapé de uma relação mais harmônica com o planeta. Veja algumas diferenças entre esse modo de produção e o modelo majoritariamente vigente no mercado:

Privilegia o comércio local

A economia local encurta distâncias entre pessoas e negócios. Por exemplo: em vez de uma laranja viajar centenas de quilômetros até chegar à mesa, ela sai de um produtor vizinho direto ao consumidor final.

A Economia Circular privilegia o consumo baseado na localidade, nos pequenos comércios. Além de diminuir o uso dos combustíveis fósseis, responsáveis por grande parte da emissão de gases poluentes na atmosfera, a prática aumenta a conexão entre as pessoas. Como o produtor e o consumidor final mantêm contato, as relações do comércio também se tornam mais humanas.

Utiliza um modo de produção consciente

A Economia Circular propõe o cuidado com todas as etapas do processo produtivo: da escolha consciente das matérias-primas até o reaproveitamento ou o descarte dos materiais. E vai além: encoraja os players do mercado a uma nova lógica de consumo mais responsável com o futuro da humanidade e do planeta Terra.

Então, na Economia Circular, importa trabalhar com materiais mais sustentáveis ou reciclados; comprar matérias-primas diretamente do produtor; privilegiar a compra em comércios locais, a fim de garantir que o fluxo financeiro permaneça no entorno.

Diminui o desperdício de materiais

Uma das propostas da economia local é o uso inteligente dos recursos, de modo a estender o tempo de vida útil dos materiais por meio de reciclagem ou reparos. O descarte desenfreado de objetos, pautado pela lógica de produção capitalista “usou, jogou fora”, é evitado ao máximo também como uma forma de redução da geração de lixo. Para a Economia Circular, na verdade, não existe “fora”. Todo o resíduo descartado fica dentro do planeta.

Valoriza o compartilhamento em vez de posse

Traços da inovação proposta pela lógica da Economia Circular é vista também em Modelos de Negócios que se baseiam no compartilhamento de bens e serviços. Exemplos disso são as startups Uber e Airbnb, cuja entrega não está na posse de algo, mas, sim, na solução de problemas de mobilidade e hospedagens a preços mais baixos, em uma relação ganha-ganha.

Ao utilizar os serviços, nenhum cliente dessas empresas adquire um bem. Compra a facilidade e a solução trazida pela ideia do compartilhamento.

Reduz os impactos ambientais

Uma vez que valoriza as relações locais de consumo, a Economia Circular ajuda também a diminuir o uso de combustíveis fósseis, responsáveis pela emissão de gases poluentes na atmosfera. O modo de produção pautado pela diminuição do desperdício e pela reutilização de materiais possibilita que a prática gere menos lixo e, portanto, contribua fortemente com a redução dos impactos ambientais negativos, trazidos com o comércio desenfreado.

Oferece produtos mais duradouros

Produtos fabricados sob a lógica da Economia Circular são feitos com o objetivo de durar muito mais do que aqueles produzidos sob o modo capitalista desenfreado: quando o descarte é bem-vindo para que a nova compra se dê com mais rapidez.

Pronto! Agora você já sabe exatamente o que é a Economia Circular e quais as principais mudanças que o modo de produção convida a sociedade a fazer. Embora antiga, a lógica segue inovadora como uma resposta viável à grande crise climática que a humanidade vem enfrentando.

Chegou a hora de avaliar: será que dá para replicar algum aspecto da Economia Circular na sua empresa? E, se você está interessado em compreender melhor como tornar o seu negócio mais sustentável, não deixe de ler este post sobre 4 dicas de Sustentabilidade!