Modelos de Negócio inovadores no setor de Moda e Vestuário — entrevista com Poliana Bittencourt

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Uma das maiores indústrias do mundo, a Moda sofreu grandes impactos durante a pandemia do novo coronavírus. Milhares de lojas físicas fecharam, as vendas on-line ganharam força e credibilidade, o consumidor passou a valorizar coleções atemporais e as mídias sociais se tornaram uma bússola referenciadora de tendências.

Ou seja, quem seguiu no mercado precisou se reinventar e incluir a transformação digital para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor, que já vinham se desenhando e foram aceleradas pela pandemia.

Para falar mais sobre essas mudanças que impactaram o mercado da Moda e Vestuário, convidamos Poliana Bittencourt, cofundadora da plataforma on-line Fixbitt, um Modelo de Negócio inovador que oferece consultoria de estilo para mulheres de todo o Brasil.

Poliana, estamos diante de crises em diversos aspectos: econômico, climático e sanitário e é hora de rever valores. Sua marca traz uma proposta inovadora, até apontando para a construção de um armário mais consciente. Você acredita que o mercado da Moda esteja se reinventando para acompanhar os desafios que se apresentam diante de nós? Quais as principais mudanças nesse segmento, especialmente depois da pandemia?

Entramos há três anos com essa ideia de trazer mais inovação para a área da Moda mesmo. Então, a Fixbitt mudou muito, principalmente, depois da pandemia. Mas nós começamos com o modelo de democratização do serviço do personal stylist, isto é,  trazer mais assertividade na hora da compra. Porque a gente acredita que a sustentabilidade mais assertiva na Moda é uma compra certa e consciente, muito mais do que trabalhar com tecidos naturais e ser ecofriendly. Isso é ótimo, porém o mais impactante tanto para o meio ambiente quanto para a mulher em si é saber comprar. Acho que ninguém vai deixar de vestir, né? Todavia, que esse consumo seja mais assertivo e mais consciente para gerar menos lixo e mais autoestima.

Eu realmente tenho acompanhado essas mudanças. Temos uma relação bem próxima com as nossas seguidoras, com as nossas clientes, buscando sempre ouvir e dialogar com elas. Percebemos que, hoje, mais do que nunca, elas estão muito preocupadas realmente onde consumir e se importando mais em relação aos tecidos e muito mais com essa compra assertiva e consciente também.

Por quais razões você decidiu apostar em um Modelo de Negócio de Moda diferente dos tradicionais?

O principal objetivo era democratizar o serviço da consultoria de imagem, do personal stylist porque, há alguns anos, e até hoje, esse é um pouco exclusivo por ser um serviço caro. Assim, a gente trouxe essa informação como forma de empoderamento, que é no que eu acredito. Porque a maneira como nós nos vemos e como também os outros nos percebem afeta diretamente no nosso bem-estar e na autoestima.

Em quais mudanças você precisou investir para se adaptar a um mercado mais exigente, antenado à sustentabilidade e propenso às compras on-line?

Pra gente não foi tanta mudança porque, há três anos, já estávamos nesse caminho. Então, agora, está super no timing. Mesmo assim, mudamos completamente o formato e o modelo, sabe? Isso  mais em razão de uma avaliação do produto. E era um produto considerado muito sustentável em si, porém mais para o cliente. Para a empresa, não tanto.

No começo da Fixbitt, a cliente entrava no site, preenchia um formulário de estilo. A partir daí, nossa equipe de stylists avaliava esse perfil e montávamos uma caixa com algumas opções que tinham a ver com o estilo, com o objetivo e com o perfil dela. Enviávamos a caixa para a casa da cliente, sem custo, e ela tinha até dois dias para experimentar as peças de roupa. O que gostasse, ficava. O que ela não gostasse, devolvia. Havia toda essa praticidade, comodidade. Hoje eu vejo que existem muitas marcas apostando nesse negócio. Espero que alguém consiga viabilizar; entretanto  foi realmente muito complicado viabilizar tendo em vista a dinâmica dos Correios e a cultura e o comportamento do brasileiro, que na época estava querendo só perguntar, e era algo novo. Enfim, não tinha tanta consciência.

Contudo, mudamos. Mantemos a essência, mas mudamos um pouco. Hoje fazemos parcerias com marcas, e aí, em vez de fazer uma caixa, extremamente personalizada para cada cliente, montamos coleções cápsulas. Atualmente já conheço muito bem, já entendo a minha persona. É uma mulher independente, que trabalha, que precisa estar muito bem-vestida o dia todo, estendendo isso a muitas mães também. Assim, conhecendo o perfil delas,  eu consigo montar coleções cápsulas e, no lugar de ser uma caixa personalizada para cada uma, tipo um pouco menos personalizada, dá para escalar e atender mais ao Brasil.

Além disso, hoje nós estamos 100% on-line, já que fechamos nosso espaço físico. Porque, na verdade, a Fixbitt nasceu para ser 100% on-line. Só que isso, há três anos, não era possível. A gente sentiu necessidade de ter o espaço físico pra gerar credibilidade. É uma loucura; em apenas três anos já é possível a gente  ver a evolução. Com certeza, a pandemia acelerou muito o processo de as pessoas irem pro on-line. Quem não foi acho que não vai mais. E assim: todo mundo perdeu o medo de comprar pela internet.

Ampliando o olhar, como você vê o impacto da mudança do comportamento do consumidor no cenário da Moda?

Eu tenho estudado e, como eu te falei, converso muito com nossas seguidoras, nossas clientes e também busco informações externas com quem está na área. E o cenário não é tão animador. De tudo que eu vi, desde a pandemia, eu posso resumir que, principalmente aqui no Brasil, as grandes marcas vão tomar o lugar das marcas intermediárias, sabe? Principalmente porque as boutiques não estavam muito no meio on-line, então eu acho que vão perder muito espaço. Quem vai ser mais impactado é o médio produtor, o revendedor de Moda.

Inovação é uma das marcas do seu negócio. O que você considera essencial para uma empresa manter essa mentalidade inovadora?

Menos emoção e mais razão. É engraçado porque a Moda é essa coisa moderna e que está sempre à frente, mas ela é muito contraditória. O meio de produção hoje continua o mesmo meio de produção de 200 anos atrás, que é a mulher fazendo, costurando, e isso é uma loucura a meu ver. Eu tenho um software de tecnologia também, e a gente fica um pouco assustado com essa forma tão arcaica, sendo a Moda a terceira economia mundial. Entretanto, as pessoas estão insistindo muito em um modelo supertradicional  de vender Moda. A Moda pelo glamour, pelo consumo, e não a Moda como uma forma de expressão, de comportamento. Porque Moda é comportamento, mas o mercado não vê muito a Moda como ela é. Então, para quem não acompanhar o comportamento do consumidor acho que vai ficar mais difícil.

Se pudesse dar uma dica para quem deseja empreender no mercado de Moda, qual seria?

Cuidar da personalização, olhar o indivíduo como ser único. Moda é comportamento, e não glamour, sabe?

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