Novo comportamento do consumidor pós coronavírus: conheça algumas tendências

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Uma crise se caracteriza pelo estado de incerteza, um episódio de desgaste e desequilíbrio, que nos obriga a sair do status quo e realizar mudanças em nossa rotina, a fim de nos adaptarmos a esse momento. Com a COVID-19, doença provocada pelo novo coronavírus, não tem sido diferente. O momento desencadeou uma série de modificações em nossa rotina, impactando o comportamento do consumidor em diversos níveis da jornada de compra. No artigo, entenda os impactos da pandemia do coronavírus na forma como consumimos produtos e serviços, com alguns dos principais números de compra e venda.

Comportamento do consumidor e o coronavírus: o que muda?

A pandemia do novo coronavírus não é a primeira do século XXI e tampouco a mais fatal. Entretanto, diferentemente do H1N1, por exemplo, a COVID-19 apresenta uma característica fundamental para criar outro comportamento do consumidor. A facilidade e a rapidez de contágio do vírus, além do fato de não haver ainda vacina para combatê-lo, nem mesmo medicamentos. Esse aspecto do coronavírus foi responsável por mudar hábitos de milhões de pessoas ao redor do mundo e, com isso, a forma como as pessoas consomem.

Algumas mudanças tendem a ser temporárias, acompanhando os estágios da doença e da crise em si. Outras, entretanto, têm a capacidade de modificar de forma mais profunda hábitos sociais, impactando em modificações em longo prazo, seja no processo de compra, seja até mesmo nos mercados em geral, possibilitando a popularização de um produto, a desvalorização de um setor ou a criação de outro serviço.

Aumento do consumo de produtos digitais

Um dos pontos de destaque no novo comportamento do consumidor se caracteriza pela maior presença nos meios digitais. Com o isolamento social, estado de quarentena e modificação nas formas de trabalho com a adoção massiva do home office, o consumidor passa mais tempo na redes sociais e, consequentemente, também vem a consumir produtos digitais com maior frequência.

Por estar mais tempo em casa, o consumidor não só tem a necessidade de adquirir produtos de forma on-line, como também tem mais tempo disponível no dia a dia para consumir conteúdo de entretenimento e educação.

A busca por cursos de formação on-line, por exemplo, cresceu bastante durante o período de quarentena. A procura por serviços de streaming como a Netflix ou o Disney Plus dobrou durante o isolamento. O consumo por meio de marketplaces como a Amazon e o Magazine Luiza, a título de exemplo, subiu 40%.

Artigos de saúde e higiene em alta

A crise do coronavírus provocou também mudanças no comportamento do consumidor em relação à saúde. A procura por artigos de higiene pessoal cresceu cerca de 45%, assim como o consumo de produtos de limpeza. O álcool em gel também foi um artigo muito procurado, sofrendo um aumento de 85% em março de 2020.

A obrigatoriedade do uso de máscaras foi outro fator que ocasionou expressiva procura por esse artigo, assim como o aumento do interesse em pesquisas na área da saúde e discussões sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).

Mudanças nas atividades de lazer

O Setor de Lazer e Entretenimento também teve grande impacto em razão da crise do coronavírus. Jogos on-line, livros e serviços de streaming passam a fazer parte da nova rotina de lazer do consumidor. Em contrapartida, o Setor de Eventos e Viagens sofreu um impacto bastante negativo. Consequentemente, as ações no mercado de aviação brasileiro caíram cerca de 78% desde o início da crise.

Bares e restaurantes locais, da mesma forma, sofreram grande impacto. Estima-se queda de 60% no comportamento do consumidor no que diz respeito a frequentar bares e eventos sociais, até porque há muitas medidas governamentais impostas, que impedem a circulação de pessoas, bem como aglomerações e realização de festas.

Queda no mercado de prestação de serviços

O mercado de prestação de serviços talvez seja o que mais sofreu impacto no comportamento do consumidor. Em pesquisa realizada pela Opinion Box, em março de 2020, 60% dos entrevistados declararam esperar queda na renda durante a crise do coronavírus. Cerca de 25% dos consumidores entrevistados informaram ter cortado da rotina serviços de beleza; 12%, ter dispensado as diaristas; e 9%, cancelado consultas com psicólogos e terapeutas. Estima-se também queda no consumo de serviços de manutenção.

Diminuição nas compras impulsivas

A compra impulsiva é um aspecto fundamental  do comportamento habitual do consumidor para a manutenção do comércio local. Ela se caracteriza por aquela blusa que você compra na hora do almoço ou aquela pulseira quando você está passeando pela rua. Entretanto, com o isolamento social, há uma tendência forte de economia e diminuição de gastos supérfluos, causada pelo medo do desemprego, pelo aumento do dólar e pela possibilidade de recessão. Com isso, o consumo nas compras impulsivas cai bastante.