Responsabilidade dos Influenciadores pós-pandemia

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A pandemia evidenciou o contraste entre o conteúdo produzido por um digital influencer e a realidade da maioria das pessoas. Posts marcados por narrativas de luxo, ostentação e um estilo de vida que poucos podem levar foram se esvaziando à medida que o efeito devastador do coronavírus se instalou pelo mundo.

Diante de uma gigante crise sanitária, econômica e humana, milhões de pessoas intensificaram o filtro para o tipo de informação consumida na internet. A digital influencer Gabriela Pugliesi, por exemplo, viu seu perfil perder milhares de seguidores após ter publicado registros de uma festa durante isolamento social.

Ela é apenas o último exemplo das revoluções que vêm acontecendo no mundo digital. Marcas e criadores de conteúdo têm se debruçado sobre o modo de produção das narrativas nas redes sociais para atender a uma audiência mais exigente e consciente.

Enquanto o mundo encara um cenário de preocupação e incerteza, nas telinhas, um conteúdo supérfluo, descolado da realidade surge. Vem se instalando, então, o “novo normal” também para a era da influência. Mas será mesmo que os conteúdos mais levianos perderam sua fatia de mercado? Como será a vida dos influenciadores pós-pandemia? Que “novo normal” será exigido do digital influencer?

“Novo normal”: a responsabilidade do digital influencer

Mais do que nunca, na era da influência, os criadores digitais ficaram diante da responsabilidade que carregam ao compartilhar conteúdo na internet. A pandemia acelerou o processo de digitalização de marcas e pessoas, evidenciando o papel do digital influencer como um grande veículo de massa.

Pode-se citar uma pesquisa feita pela agência Kantar sobre o consumo de conteúdo digital no mundo, a qual aponta que, durante o período mais intenso de isolamento social nos países, a navegação na internet aumentou 70%, e o uso das mídias sociais teve acréscimo de 63% em relação aos números habituais.

À medida que grande parte das narrativas se construíam somente com base na lógica de consumo desenfreado, luxo, ostentação e em um estilo de vida inalcançável, a audiência foi se transformando e passou a cobrar um conteúdo que dialogasse com a realidade e que entregasse verdade e utilidade ao dia a dia.

Diante de tempos de incertezas, colapso econômico e sanitário, a disparidade entre a realidade vivida mundialmente e o estilo de vida de um digital influencer se mostrou como um iceberg no meio do oceano. E o público passou a se questionar: que tipo de comportamento o digital influencer está incitando? A que serve o conteúdo produzido por ele? Existe uma conduta ética, transparente e respeitosa com a audiência?

Por um lado, considerando que grande parcela dos criadores na internet não acompanhou as mudanças da realidade fora das telinhas, por outro, a audiência se tornou cada vez mais exigente ao tipo de conteúdo que consome, mesmo para se entreter.

Pós-pandemia: o que muda em relação ao digital influencer?

Diante disso, como será o mercado de influenciadores pós-pandemia? Como as marcas e o digital influencer vão se comportar para atender uma audiência mais exigente e questionadora? Afinal, as redes sociais são grandes teias de relacionamento entremeadas por pessoas, produtores de conteúdo e marcas, que, claro, pagam a conta.

Então, o que muda nesse universo? Uma pesquisa realizada mundialmente pela empresa Socialbakers traz dados sobre o impacto da pandemia no mercado do digital influencer. A utilização de hashtags como “#ad” e “#publi”, usadas para indicar publicidade nas redes sociais, diminuiu 30% em relação a abril de 2019.

Ainda de acordo com o estudo, isso não só se deve ao fato da redução do orçamento de Marketing de Influência e do cancelamento de contratos por conta da pandemia. A audiência também está interessada em consumir conteúdos mais próximos da realidade e do cotidiano. E as marcas estão enxergando o potencial em dialogar com essa audiência por meio de digital influencers de nicho. Ou seja, com uma relação mais próxima ao seu público.

O que se pode perceber é que os consumidores de conteúdo na internet estão mais conscientes daquilo que veem. Enquanto a fase pré-coronavírus era marcada pelo simples encorajamento de compra de itens que remetem ao luxo, à ostentação e ao poder ou a um estilo de vida alheio à realidade, o mundo pós-pandemia exige nova postura por parte do digital influencer.

Um digital influencer consciente

Esse profissional da rede precisa estar antenado às mudanças sociais, econômicas, ambientais buscando produzir conteúdo significativo e responsável para a própria audiência. Tal postura, também mais consciente, está até entre as tendências do marketing na era da influência. E cabe ao digital influencer criar narrativas que engajem. Que conectem o público às marcas de uma forma mais próxima do cotidiano, antenadas ao cenário daquele momento, especialmente quando se trata de publicidade.

São tempos de grandes mudanças. Assim como afetou diferentes contextos da vida das pessoas, a pandemia despertou também um novo olhar e apurou o crivo para o conteúdo consumido, especialmente nas redes sociais. As respostas da audiência jamais serão as mesmas no que diz respeito às marcas e às criadores de conteúdo que demoram a se adaptar às exigências de pessoas mais conscientes, exigentes por ética e utilidade também na internet.

Se antes era o ideal, agora, na era pós-pandemia, o digital influencer terá de entregar um conteúdo com narrativas reais, úteis e que gerem valor a sua audiência. Uma maneira de trabalhar mais ética, consciente com a realidade fora das telinhas dos likes.

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