O que um investidor-anjo analisa em uma startup

Compartilhe este conteúdo:

Investidor-anjo são pessoas físicas que aplicam o próprio dinheiro em startups, como uma forma de investimento. É uma operação de elevado risco – 74% das startups brasileiras fecham depois de cinco anos.

Portanto, se você quer acessar esse tipo de capital, é importante entender o que um investidor-anjo analisa em uma startup.

O termo surgiu na época dos teatros da Broadway, em Nova York, na década de 1920. Os empresários que apoiavam os altos custos de produção das peças de teatros aos poucos receberam a denominação de “anjos”.

Hoje, o termo está mais relacionado ao contexto das startups. Normalmente, cada investidor-anjo disponibiliza um montante a partir de 20 mil reais – e esse valor pode ser investido individualmente, ou em associações.

Os investidores aplicam o capital financeiro e podem aportar também capital intelectual, com consultoria, acompanhamento e aconselhamento, conhecimento, e às vezes até mesmo networking. Esse tipo de investimento é denominado “smart money” ou “dinheiro ainda mais inteligente”.

Isso faz com que esse modelo seja bastante atrativo e muito utilizado, principalmente pelas startups em estágio de semente ou inicialização (seed stage e early stage, no inglês).

Para muitas das startups ter um investidor-anjo é uma forma mais viável de acessar financiamentos, já que há mais flexibilidade do que em outros modelos – como recorrer a bancos ou a Venture Capitalists.

Para entender o que um investidor-anjo analisa antes de investir, leia este post até o final.

Como acessar o capital de investidores-anjo?

É importante entender que o investidor tem à sua disposição outras possibilidades de investimento – como Tesouro Direto, ações de empresas que estão na Bolsa de Valores ou mesmo outras startups. A lógica de quem aplica o dinheiro é uma análise de risco e de retorno.

Por isso, para conseguir um investimento, é necessário mostrar ao investidor alguns documentos que indicam a viabilidade do negócio e a credibilidade da operação. Ter um  bom roadmap pode ser estratégico. Além disso, as projeções de custos, receitas, tempo de retorno do investimento, ou payback, costumam ser analisadas.

A seguir, listamos alguns pontos que devem ser observados antes de buscar por investidores:

Time e fundadores

Uma das formas de avaliar a probabilidade de um negócio decolar é conhecer quem são as pessoas envolvidas no projeto.

Os investidores avaliam a expertise, a experiência e a formação do time de pessoas envolvidas na operação e principalmente a dos fundadores. Eles buscam entender se existe capacidade técnica para entregar o que foi prometido: em outras palavras, analisam se há potencial de execução.

Um cuidado é selecionar pessoas com capacidade técnica distinta, capazes de cobrir todas as áreas da empresa.

Para os fundadores de startups que tiveram alguma experiência de sucesso previamente, pode ser mais fácil. Em contrapartida, para quem está na sua primeira experiência profissional geralmente é mais difícil; neste caso, vale a pena estruturar um currículo mostrando formação acadêmica e outras atividades desempenhadas.

Outro ponto que pode ser avaliado pelos investidores é a coesão do time, isto é, se há um alinhamento em prol do propósito da marca.

Avaliações do nível de maturidade das pessoas envolvidas e do perfil comportamental também podem ocorrer. Startups são empresas que demandam maior grau de adaptabilidade. Portanto, o seu time de colaboradores e de fundadores precisa ter essa abertura ao novo e a maturidade de perceber a hora de mudar a estratégia.

Produto

O investidore-anjo busca entender se o produto da startup se propõe a resolver uma dor real do mercado. Se existe demanda e se o produto apresenta uma solução factível e óbvia.

Outro ponto de análise é sobre a viabilidade de produção e se há capacidade de a operação ganhar escala. Para isso, são feitos estudos, testes e um sistema de métricas é implementado.

Análise de mercado

É feita uma análise do setor, considerando, a presença e o grau de maturidade de potenciais concorrentes. Uma das ferramentas que pode ser útil para essa análise é a matriz de SWOT.

O intuito é entender quais são as barreiras de entrada no mercado e qual seria a facilidade ou dificuldade de se destacar.

Aqui é feita uma análise da viabilidade econômica da operação, da criatividade, do diferencial, e saiba que um bom plano de negócios é considerado um diferencial.

Valuation ou avaliação do valor de mercado da empresa

É um processo que avalia o quanto a empresa vale – e aqui são considerados tanto aspectos objetivos quanto subjetivos – como a avaliação da marca. Um dos pontos a ser levado em consideração aqui é a percepção de valor do consumidor final acerca do produto.

Para decidir aplicar o seu capital, um investidor compara o valor que a empresa vale com o potencial de receita que pode ser gerada.

Transparência

É esperado poder acompanhar as principais decisões que impactam os resultados financeiros da empresa e a contabilidade. Por isso, documentos organizados e uma comunicação fluida são essenciais para transmitir maior confiabilidade.

Cap Table

É feita uma análise da distribuição da divisão societária. O investidor-anjo quer entender como os fundadores vão se dividir na operação.

Ter a presença de fundadores em times diferentes é relevante para quem pretende alocar dinheiro. Eles buscam entender o quão próximo os fundadores estão da operação.

Outro ponto é a distribuição de capital entre os sócios – isso demonstra quão horizontal será a tomada de decisão na gestão da startup. Se um único sócio concentra uma parcela maior do negócio, isso pode sinalizar uma hierarquia na tomada de decisões, o que nem sempre é interessante, visto que o processo decisório fica mais concentrado em uma única pessoa.

Número de sócios

Espera-se a presença de um time de fundadores – fundadores solitários podem não ser muito bem vistos, assim como um time muito grande.

Se de um lado pode ser arriscado investir em poucos talentos gerenciando uma operação de risco, por outro a presença de muitas pessoas pode significar maior probabilidade de atritos.

Organização contábil e trabalhista

Em razão do ambiente altamente burocrático no qual estamos inseridos, é comum que o início das operações de uma startup não esteja da forma contábil ou trabalhista mais adequada.

Na corrida de operacionalizar e iniciar as atividades, alguns pontos normativos podem ficar de lado. No entanto, é relevante que a operação esteja organizada, e, se existirem passivos, é importante que eles estejam caminhando para a resolução.

Quanto maior o passivo, maior o risco. Por isso, é fundamental estar em dia com as obrigações tributárias e contábeis.

Capacidade de cumprir com combinados e prazos

Se a startup já tiver mais tempo de operação, ou na segunda rodada de investimento, um ponto a ser avaliado é a capacidade de cumprimento de prazos e de combinados anteriores.

É crucial ter em mente que um retorno financeiro de uma aplicação em startups demora em média de 5 a 10 anos. Por isso, normalmente os investidores investem em mais de uma startup a fim de diluir o risco do investimento.

Portanto, antes de buscar um investidor-anjo analise estes pontos:

  • A qualificação, a maturidade, a coesão,  experiência e o perfil comportamental do time e dos fundadores.
  • Se há demanda para o produto ou solução.
  • Se o produto ou a solução resolve uma dor real do mercado.
  • Como é o mercado, principais atores, dificuldades de entrada e oportunidades.
  • O valor de mercado da empresa.
  • Se os relatórios financeiros são transparentes e organizados.
  • O cap table ou a distribuição societária.
  • Se a quantidade de sócios está adequada.
  • A organização e o passivo trabalhista e contábil.
  • A capacidade de cumprir com os combinados.

Vale a pena conferir todos esses pontos descritos, uma vez que eles podem ser cruciais entre obter ou não o financiamento via investidores-anjo.

E, já que estamos falando de um ambiente de muita criatividade e inovação, vale a pena ficar de olho nas tendências com o metaverso.